Acordo entre Lula e Motta acelera fim da escala 6x1 e pressiona empresários no Senado

Setor produtivo busca apoio de Alcolumbre para ampliar prazo de transição da nova jornada
Redação

O acordo firmado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, acelerou a tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho no Brasil.

A proposta apresentada nesta segunda-feira (25) estabelece que a nova jornada de 42 horas semanais passe a valer 60 dias após a promulgação da PEC. Após 14 meses, o limite cairá para 40 horas semanais.

Foto: Sergio Lima
Da esq. para dir, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, Hugo Motta, presidente da Câmara e Lula durante evento no STF

A mudança surpreendeu empresários e lideranças do centrão, que defendiam uma transição mais longa, de até quatro anos, para adaptação gradual das empresas aos novos custos trabalhistas.

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Diante do avanço acelerado da proposta na Câmara dos Deputados, representantes do setor empresarial agora articulam mudanças no Senado Federal. Uma reunião entre empresários e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está prevista para esta terça-feira (26).

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, lidera o movimento empresarial que tenta ampliar o prazo de transição ou até adiar a discussão para depois do período eleitoral.

Nos bastidores, parlamentares avaliam que há pouca margem para mudanças na Câmara devido à forte pressão popular favorável à redução da jornada e ao desgaste político que uma eventual resistência poderia causar em ano eleitoral.

O relatório da proposta foi elaborado pelo deputado Leo Prates e deverá ser votado nos próximos dias na comissão especial da Câmara antes de seguir ao plenário.

O texto prevê o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso dois meses após a promulgação da emenda constitucional, além da garantia de duas folgas semanais aos trabalhadores.

Também estão previstas negociações coletivas entre empresas e categorias para adaptação das escalas e regras específicas para setores com jornadas diferenciadas, como saúde, transporte aéreo e atividades embarcadas.

Empresários argumentam que uma implementação mais rápida pode elevar custos operacionais e impactar preços ao consumidor. Já defensores da proposta afirmam que a medida melhora a qualidade de vida, reduz desgaste físico e mental dos trabalhadores e acompanha tendências internacionais de modernização das relações de trabalho.

No Senado, a proposta ainda precisará passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e posteriormente pelo plenário, onde dependerá do apoio mínimo de 49 senadores em dois turnos de votação.

Caso o Senado altere o texto aprovado pela Câmara, a PEC deverá retornar aos deputados para nova análise antes da promulgação final.

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