Aliado de Eduardo Bolsonaro declara R$ 164 mil e aparece ligado a casa milionária no Texas

Imóvel de R$ 3,6 milhões amplia questionamentos sobre entorno bolsonarista nos EUA
Redação

O ex-policial militar André Porciuncula, aliado próximo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), declarou apenas R$ 164 mil em bens à Justiça Eleitoral nas eleições de 2024, mas agora aparece ligado à compra de uma casa avaliada em R$ 3,6 milhões no Texas, nos Estados Unidos.

Foto: Reuters
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro na conferência conservadora Cpac

A residência foi adquirida pelo fundo Mercury Legacy Trust, apontado como ligado ao advogado Paulo Calixto, responsável também por atuar em favor de Eduardo Bolsonaro e administrar outro fundo citado nas investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

O caso chama atenção justamente pelo contraste entre o patrimônio declarado por Porciuncula — um carro, uma motocicleta e participações societárias — e o padrão milionário do imóvel adquirido nos EUA, em meio às investigações sobre movimentações financeiras ligadas ao universo bolsonarista.

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Segundo apuração divulgada pela imprensa nacional, parte dos recursos que irrigaram fundos relacionados ao caso teria origem nos R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro ao fundo Havengate Development Fund, após articulação atribuída ao senador Flávio Bolsonaro para produção do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga se os recursos destinados oficialmente ao projeto cinematográfico acabaram, na prática, financiando despesas e estrutura política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Eduardo nega irregularidades e afirma morar em imóvel alugado. Já André Porciuncula afirmou nas redes sociais que vive na residência há dois anos como locatário e que somente agora teria conseguido financiamento imobiliário para iniciar a compra parcelada do imóvel.

O episódio aumenta os questionamentos sobre a rede financeira e política construída em torno da família Bolsonaro fora do Brasil, especialmente diante das contradições entre patrimônio declarado, movimentações milionárias e os constantes discursos públicos contra privilégios e elites políticas.

Enquanto aliados falam em perseguição política, críticos apontam que as conexões entre fundos, filmes, empresários investigados e imóveis de alto padrão começam a formar um roteiro cada vez mais difícil de explicar apenas como coincidência.

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