Ancine investiga “Dark Horse” e filme de Bolsonaro pode sofrer multa
Produção ligada ao caso Vorcaro é alvo de apuração por possíveis irregularidades no Brasil
RedaçãoA Agência Nacional do Cinema abriu investigação sobre o filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, após indícios de descumprimento de regras previstas para obras cinematográficas estrangeiras realizadas em território brasileiro.
Segundo a Ancine, a produção não apresentou até o momento pedido formal de registro para filmagens nem autorização para lançamento comercial no país. Pela legislação do setor audiovisual, produções estrangeiras gravadas no Brasil precisam obrigatoriamente comunicar a agência, sob pena de multa que pode variar entre R$ 2 mil e R$ 100 mil.
O longa é falado em inglês, estrelado, dirigido e roteirizado por profissionais norte-americanos. A produtora responsável, Go Up Entertainment, possui sede na Califórnia, nos Estados Unidos, embora também mantenha registro como agente econômico no Brasil desde 2025.
Agora, a Ancine apura se “Dark Horse” deve ser enquadrado como obra brasileira ou estrangeira e qual o real papel da produtora instalada no país dentro do projeto cinematográfico.
A investigação surge em meio às polêmicas envolvendo o financiamento do filme, que teria recebido recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
Além das questões administrativas e financeiras, trabalhadores do audiovisual relataram episódios de assédio moral, agressões físicas e condições precárias durante as gravações. As denúncias foram reunidas em um dossiê do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo.
O caso também levanta questionamentos no meio cultural e artístico. Enquanto integrantes da família Bolsonaro costumam defender discursos ligados ao nacionalismo e ao patriotismo, o filme foi estruturado praticamente com elenco, direção, roteiro e produção estrangeiros, ignorando o amplo mercado audiovisual brasileiro, reconhecido internacionalmente pela qualidade de seus atores, técnicos e profissionais do cinema.
Independentemente de posicionamentos políticos ou ideológicos, o Brasil possui um dos maiores celeiros artísticos da América Latina, com profissionais plenamente capacitados para desenvolver produções cinematográficas de grande porte.
Agora, além do desgaste político e financeiro já associado ao projeto, “Dark Horse” passa também a enfrentar questionamentos legais e administrativos, ampliando ainda mais a turbulência em torno da produção.