Brasil prepara força interestadual para fechar o cerco ao tráfico nas fronteiras
Novo modelo vai integrar estados, União e Exército para monitorar rotas estratégicas e dificultar a vida das facções criminosas
RedaçãoO Brasil se movimenta para dar um passo além no enfrentamento ao tráfico internacional de drogas. A proposta anunciada pelo secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, prevê a criação de uma força interestadual voltada especificamente para atuar nas fronteiras e nas principais rotas utilizadas pelo crime organizado.
A ideia é simples e possível de ser executada: integrar esforços, compartilhar inteligência e agir de forma coordenada. Porque, convenhamos, o tráfico adora fronteiras longas e desorganização. E o Brasil tem mais de 17 mil quilômetros de divisas terrestres e marítimas. Só de costa são cerca de 8 mil quilômetros. É um território que exige estratégia, cooperação técnica e presença constante do Estado.
Segundo o secretário, o Exército Brasileiro cumpre papel fundamental na defesa da soberania nacional, mas não tem como atribuição principal o policiamento cotidiano. Por isso, o novo modelo busca ajustar a cooperação entre estados, Polícia Federal e Forças Armadas, fortalecendo a atuação integrada nas áreas mais sensíveis.
A proposta inclui a criação de Forças Nacionais estruturadas para pensar as rotas do tráfico de maneira ampla, ultrapassando limites estaduais. O objetivo é que a resposta também seja interestadual, afinal, o crime organizado não respeita divisas no mapa.
Principais rotas no radar
Alto Solimões
Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou a região do Alto Solimões, no sudoeste do Amazonas, como uma das principais portas de entrada do tráfico internacional na Amazônia.
A área é marcada por disputas entre facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital. O novo modelo de força integrada pretende atuar de maneira coordenada para reduzir a influência dessas organizações e ampliar a presença do Estado na região.
Rota Caipira
Outra rota estratégica é a chamada Rota Caipira, que envolve Paraguai e Bolívia e atravessa a fronteira brasileira por estados como Mato Grosso do Sul e Paraná.
Nessas áreas, o tráfico utiliza vias terrestres e aéreas para fazer a droga avançar pelo país. O Paraná, inclusive, liderou apreensões de entorpecentes em 2025, mostrando que a fiscalização já tem produzido resultados e pode avançar ainda mais com atuação integrada.
Porta de saída internacional
O Porto de Santos segue como principal ponto de saída da cocaína brasileira para o exterior, concentrando cerca de 60 por cento do volume traficado internacionalmente pelo país. Outros portos do Centro-Sul, como os de Vitória e Rio de Janeiro, também estão no radar.
A proposta é pensar toda a rota, da fronteira ao porto. Integrar estados do Norte ao Sul, fortalecer operações como a Amazônia Segura e estruturar uma força permanente capaz de agir com inteligência e mobilidade.
No fim das contas, a mensagem é clara: se o tráfico insiste em operar em rede, o Estado também vai trabalhar em rede. E, desta vez, com coordenação ampliada. O crime pode até tentar atravessar fronteiras, mas a integração das forças de segurança promete mostrar que o Brasil está disposto a encurtar o caminho da impunidade.