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Síndrome de pica afeta milhões e pode estar ligada a carências nutricionais e fatores emocionais

Nome da condição tem origem em ave conhecida por ingerir objetos variados
Redação

A Síndrome de pica é um transtorno alimentar caracterizado pela ingestão persistente de substâncias que não são consideradas alimentos e que não possuem valor nutritivo. Para que o diagnóstico seja considerado, o comportamento precisa ocorrer por pelo menos 30 dias.

O nome da condição tem origem na ave conhecida cientificamente como Pica pica, popularmente chamada de pega rabuda. Esse pássaro é conhecido por seu comportamento curioso e pela tendência de recolher e ingerir diferentes tipos de objetos. A comparação foi adotada na medicina para descrever o hábito compulsivo de consumir itens incomuns. Diferentemente do comportamento do animal, porém, em seres humanos essa prática pode trazer riscos importantes à saúde física e mental.

Foto: ReproduçãoCompulsão em comer sabão do nada
Compulsão em comer sabão do nada

Entre os itens mais frequentemente ingeridos por pessoas com o transtorno estão terra, giz, gelo, papel, sabão, cabelo, pano, carvão, cinzas, argila, amido, tinta e até pequenos pedaços de metal ou pedras. Em alguns casos, o consumo pode provocar intoxicações, obstruções intestinais, lesões no aparelho digestivo e infecções.

Foto: ReproduçãoComer objetos aleatórios como porcas e parafusos
Comer objetos aleatórios como porcas e parafusos

Segundo o médico Drauzio Varella, a síndrome pode afetar pessoas de qualquer idade, sexo ou classe social. Relatos reunidos em seu portal mostram que há casos registrados durante a gestação, quando algumas mulheres relatam forte desejo por substâncias como terra, arroz cru ou outros materiais não alimentares.

Foto: ReproduçãoMulher comendo talco
Mulher comendo talco

Possíveis causas e fatores associados

A síndrome costuma estar associada a deficiências nutricionais, principalmente de ferro e zinco. Em crianças com anemia por deficiência de ferro, por exemplo, é relativamente comum o desejo de ingerir terra ou barro. A hipótese é que o organismo, ao perceber a falta de determinados nutrientes, desencadeie impulsos atípicos.

No entanto, a explicação não se limita às carências nutricionais. O transtorno também pode estar relacionado a fatores psicológicos e psiquiátricos, como ansiedade, depressão e transtorno obsessivo compulsivo. Em alguns casos, está associado a dificuldades cognitivas ou fragilidades emocionais.

Durante a gravidez, além do aumento da demanda por nutrientes, fatores emocionais e falta de suporte social podem contribuir para o aparecimento do quadro.

Como identificar e tratar

O diagnóstico deve ser feito por profissional de saúde, após avaliação clínica e investigação das possíveis causas. Não existe um único protocolo de tratamento, pois a abordagem depende do que está por trás do comportamento.

O cuidado pode envolver acompanhamento médico para correção de deficiências nutricionais, além de suporte psicológico ou psiquiátrico quando há fatores emocionais associados. Em muitos casos, a atuação conjunta de diferentes profissionais é fundamental para reduzir os riscos e promover a recuperação.

Diante de qualquer comportamento persistente de ingestão de substâncias não alimentares, é essencial buscar orientação especializada para evitar complicações e garantir o tratamento adequado.

Fonte: Revista40graus, Drauzio Varella e colaboradores

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