Caso BRB e Banco Master avança com suspeitas de fraude e documentos falsos

Investigação aponta corrupção, lavagem e possível manipulação de contratos
Redação

A investigação sobre o caso envolvendo o Banco de Brasília e o Banco Master ganhou novos desdobramentos com a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, no âmbito da operação Compliance Zero. O caso é tratado pelas autoridades como um dos mais relevantes escândalos recentes no sistema financeiro público.

Segundo apuração da Polícia Federal do Brasil, o ex-dirigente foi orientado a considerar um acordo de colaboração premiada ainda nas fases iniciais da investigação. No entanto, ele optou por manter a estratégia de defesa baseada na alegação de que as operações realizadas com o Banco Master teriam caráter técnico e regular.

Foto: Gabriela Biló
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, é preso pela PF de seu apartamento no bairro do Noroeste em Brasília

De acordo com investigadores, essa linha de defesa passou a ser sustentada por um conjunto de documentos posteriormente considerados suspeitos. Há indícios de que parte desse material teria sido produzida ou ajustada após as operações, com o objetivo de conferir aparência de legalidade a transações sob investigação.

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A apuração aponta que teriam sido utilizados contratos, planilhas, extratos e procurações com possíveis inconsistências, além de registros com datas retroativas e alterações manuais. Esses elementos são analisados como possíveis tentativas de justificar operações financeiras consideradas atípicas.

As investigações também indicam que decisões relacionadas à aquisição de carteiras do Banco Master teriam ocorrido com celeridade incomum e flexibilização de controles internos, levantando questionamentos sobre a observância de critérios técnicos e de governança.

Outro ponto central envolve a suspeita de pagamento de vantagens indevidas. Segundo a PF, há indícios de que imóveis de alto valor, localizados em São Paulo e no Distrito Federal, teriam sido utilizados como forma de compensação vinculada às operações investigadas.

O caso também ganhou força após a análise de dados telemáticos e relatórios de auditoria independente, que reforçaram suspeitas sobre a existência de ativos sem lastro e inconsistências estruturais nas carteiras negociadas.

A defesa de Paulo Henrique Costa afirma que ele não cometeu irregularidades e sustenta que todas as operações seguiram padrões de mercado, com decisões colegiadas e respaldo técnico. Os advogados também classificam a prisão como medida desproporcional.

As investigações seguem em andamento e devem aprofundar a análise do material apreendido, além de eventuais conexões com outros envolvidos. O caso permanece sob acompanhamento das autoridades, com foco na responsabilização de possíveis ilícitos financeiros e na preservação da integridade do sistema bancário.

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