Diamantes de Preta: o brilho eterno que ela escolheu deixar no mundo
As pedras, criadas em laboratório a partir do carbono das cinzas
RedaçãoNos últimos dias, amigos e familiares de Preta Gil começaram a receber um presente que parece ter sido moldado entre o afeto e o infinito: pequenos diamantes criados a partir das cinzas da cantora. Era o último desejo de Preta — transformar sua despedida em brilho, sua ausência em presença, sua história em algo que pudesse ser segurado entre os dedos e guardado para sempre perto do coração.
As pedras, criadas em laboratório a partir do carbono das cinzas, começaram a chegar às mãos de quem caminhou ao lado dela: o grupo “Diamonds” — Gominho, Duh Marinho, Jude, Soraya e Malu Barbosa — além dos familiares da artista.
Cada joia carrega gravado, a laser, o nome de Preta. Uma inscrição invisível a olho nu, mas nítida para quem sabe onde procurar — como ela mesma: discreta quando queria, imensa quando precisava ser.
Duh Marinho mostrou o pacote com as cinco pedras, emocionado: “Meu amor sempre comigo”, escreveu, como se aquele pequeno fragmento de luz reabastecesse o mundo de tudo o que ela espalhou em vida.
Gominho, outro amigo de alma, revelou seu diamante e também seu aprendizado.
“Ela era um diamante bruto”, disse, com a voz de quem revive memórias enquanto fala. “Nunca foi lapidado. Ela se lapidava quando queria, do jeito dela. Isso foi o que mais aprendi com ela: não se deixar lapidar.”
E completou: “A Preta é isso. Ninguém destrói, ninguém quebra.”
Em respeito a esse brilho tão próprio, Gominho contou que pretende guardar o diamante em casa, como um relicário da amizade — nada de transformar o presente em joia de uso diário. “Tenho medo de ser assaltado, né? Moro no Rio de Janeiro”, brincou, rindo com aquele humor que Preta adorava.
A criação dos diamantes começou logo após a cremação. Parte das cinzas seguiu para um laboratório em São Paulo e outra parte para a Índia, onde o carbono foi submetido a calor intenso e pressão extrema — o mesmo processo que, na natureza, leva milhões de anos.
Ao todo, 12 pedras foram produzidas para os amigos. Cada uma única, como um pequeno universo lapidado.
Outra porção das cinzas foi enviada a um laboratório em Curitiba, responsável pelo diamante destinado à família Gil — esse, totalmente fabricado no Brasil.
Segundo especialistas, o processo artificial respeita o desenho da natureza: transforma o que era matéria em memória luminosa. As peças começam em cerca de R$ 3.800, variando de acordo com o tamanho. Mas, para quem recebe, o valor é incalculável.
Preta, que sempre fez da vida um palco de amor, música, coragem e verdade, encontrou uma forma de permanecer: virou brilho. Um brilho que não se apaga, que não se desfaz, que não se esvai no tempo. Um brilho que, agora, repousa na palma das mãos de quem ela amou.
Um diamante não morre.
Preta, tampouco.