Lula mantém discurso de autonomia da PF após operação que cita Jaques Wagner

Investigações alcançam líder do governo no Senado, mas não apontam envolvimento do presidente
Redação

O avanço das investigações da Operação Compliance Zero sobre o Banco Master colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, no centro de uma nova etapa da apuração conduzida pela Polícia Federal. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (18), autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém o mesmo discurso adotado desde o início de seu mandato: o de que os órgãos de controle e investigação devem atuar com autonomia, independentemente de quem seja alvo das apurações.

Foto: Pedro Ladeira
O senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado

Segundo relatos de integrantes do governo, Lula já teria manifestado anteriormente que qualquer pessoa investigada deve apresentar esclarecimentos à Justiça e responder pelos seus atos caso sejam comprovadas irregularidades.

Continue lendo após a publicidade

A nova fase da investigação tem como foco relações financeiras e empresariais que estariam sendo analisadas pela Polícia Federal. Entre os alvos está o senador Jaques Wagner, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre a operação.

Apesar da repercussão política, é importante destacar que, até o momento, não há informação pública indicando que o presidente Lula seja investigado ou citado como participante dos fatos apurados pela Polícia Federal nesta operação. As investigações concentram-se em pessoas específicas e em relações que estão sendo analisadas pelos órgãos responsáveis.

O caso também possui outros desdobramentos políticos e empresariais que vêm sendo apurados há meses. Entre eles, episódios envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, empresários ligados ao Banco Master e outras figuras públicas que aparecem em diferentes frentes de investigação.

Nos meios políticos, governistas argumentam que a atuação da Polícia Federal e dos órgãos de controle demonstra o funcionamento regular das instituições. A avaliação é que eventuais responsabilidades devem ser individualizadas, sem generalizações ou associações automáticas a governos, partidos ou lideranças que não figurem formalmente nas investigações.

A expectativa agora é pela manifestação das defesas dos envolvidos e pela continuidade das diligências da Polícia Federal, que busca esclarecer a origem, a natureza e a legalidade das operações financeiras analisadas no inquérito.

Enquanto o caso segue em investigação, permanece válido o princípio da presunção de inocência para todos os citados, cabendo às autoridades competentes a análise das provas e a eventual responsabilização dos envolvidos, caso sejam constatadas irregularidades.

Leia também