Moraes mantém Bolsonaro na PF de Brasília

Condenados iniciam penas enquanto o país assiste — mais uma vez — ao capítulo que ninguém imaginou, mas que a lei exigiu

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A decisão oficializa o início do cumprimento de sua pena de 27 anos e 3 meses, decorrente da condenação por liderar uma trama golpista — um daqueles episódios que, se não fossem reais, pareceriam exagerados até para ficção política.

Foto: Gabriela Biló
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília

Moraes também decretou o trânsito em julgado para os demais réus do núcleo central do caso. Resultado: Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e o almirante Garnier, todos antes figuras centrais da cúpula militar, passaram do discurso de “defesa da pátria” para a vida prática de cumprir pena. Já Anderson Torres foi encaminhado ao 19º BPM do DF, a popular “Papudinha”, no Complexo da Papuda.

Enquanto isso, Bolsonaro permanece na chamada sala de Estado-Maior da PF — um quarto de 12 m² com TV, ar-condicionado, banheiro privativo e escrivaninha. Não é exatamente um presídio comum, mas, convenhamos, também não é o Alvorada. Ironias da história: antes, era ele quem nomeava ministros do STF; agora, é o STF que define sua rotina.

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Moraes ainda ordenou uma nova audiência de custódia para esta quarta-feira (26), às 14h30, no mesmo prédio onde o ex-presidente está detido, além de determinar atendimento médico permanente para garantir que nada interfira no cumprimento da decisão judicial — nem mesmo eventuais “mal-estares” convenientes.

Curiosamente, aliados bolsonaristas vinham defendendo que ele ficasse mesmo na PF, sempre fazendo comparações com Lula, que permaneceu 580 dias preso em uma superintendência da PF em Curitiba. Agora, a coincidência virou realidade — embora por motivos bem diferentes.

O processo chegou a este ponto oito meses depois de o STF aceitar a denúncia. Alguns condenados ainda apresentaram recursos nesta segunda (24). Já a defesa de Bolsonaro optou pelo silêncio, negando os crimes, mas sem apresentar novas contestações.

No fim, resta ao leitor a reflexão: em um país em que presidentes já governaram, já foram depostos, já voltaram ao poder e agora também cumprem longas penas, talvez o que mais se destaca não é o escândalo — e sim o fato de que, apesar de tudo, a lei continua andando.

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