PEC do fim da escala 6x1 enfrenta entraves no Senado e pode ficar para depois das eleições
Exigências de Alcolumbre e mudanças no texto podem adiar votação de proposta defendida pelo governo
RedaçãoA Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho voltou a enfrentar obstáculos no Senado Federal e corre o risco de não ser concluída antes das eleições de 2026.
Nos bastidores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem defendido uma série de condicionantes para o avanço da matéria, incluindo alterações no texto aprovado pela Câmara dos Deputados, a definição de um relator alinhado ao seu entendimento e uma reunião prévia com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Uma das principais mudanças discutidas envolve a incorporação de pontos da chamada “PEC do Trabalho Flexível”, defendida por setores empresariais e pela oposição. A proposta prevê a ampliação de contratos com remuneração por hora trabalhada e acordos individuais entre empregadores e empregados.
Além disso, Alcolumbre também tem defendido a manutenção da escala 6x1 para determinados setores da economia, especialmente na área de serviços. A avaliação de aliados do senador é que qualquer alteração no texto aprovado pela Câmara exigirá uma nova rodada de votação entre os deputados, ampliando ainda mais os prazos de tramitação.
Na prática, a estratégia pode empurrar a conclusão da proposta para depois do calendário eleitoral, adiando a implementação de medidas aguardadas por milhões de trabalhadores brasileiros.
A PEC chegou ao Senado no fim de maio, mas ainda não foi encaminhada para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa considerada fundamental para o avanço da matéria. O impasse sobre a escolha do relator também contribui para o ritmo lento da tramitação.
Enquanto setores empresariais defendem mudanças e flexibilizações, centrais sindicais e parlamentares ligados ao governo argumentam que a proposta representa um avanço nas relações de trabalho e uma resposta às demandas por mais qualidade de vida para os trabalhadores.
Nos bastidores do Congresso, a demora tem sido interpretada por integrantes da base governista como um sinal de resistência política à pauta. O cenário se soma ao desgaste recente na relação entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado, marcada por divergências em votações e articulações legislativas.
Embora o discurso oficial seja de cautela e aprofundamento do debate, o resultado prático até o momento é a paralisação de uma proposta que já foi aprovada pela Câmara e que mobiliza trabalhadores, sindicatos e setores produtivos em todo o país.
Com o recesso parlamentar se aproximando e o calendário eleitoral ganhando força nos próximos meses, cresce a possibilidade de que a discussão sobre o fim da escala 6x1 fique para depois das eleições, adiando uma decisão que impacta diretamente milhões de brasileiros.