PF revela que esquema do INSS estava “em pleno funcionamento” na gestão Bolsonaro — quem diria?
Veja o absurdo das situações reveladas pela PF
RedaçãoPF revela que esquema do INSS estava “em pleno funcionamento” na gestão Bolsonaro — quem diria?
Segundo a Polícia Federal, o esquema de descontos indevidos em aposentadorias — aquele que ninguém viu, ninguém fiscalizou e aparentemente funcionava no modo piloto automático — estava “em pleno funcionamento” justamente quando José Carlos Oliveira assumiu os cargos mais altos da área previdenciária no governo Jair Bolsonaro.
Uma coincidência, claro. Daquelas bem raras.
Oliveira, que depois mudou o nome para Ahmed Mohamad Oliveira por motivos religiosos, foi descrito pela PF como “estratégico” para manter a engrenagem girando. Nada como ter alguém experiente na casa para não deixar a fraude perder o ritmo, não é mesmo?
Blindagem nível premium
De acordo com decisão do ministro André Mendonça, do STF, Oliveira passou por todos os postos possíveis da administração previdenciária — percurso que, segundo a investigação, ajudou a organização criminosa a manter e expandir a farra dos descontos indevidos. É quase um currículo de gestão… só que do lado errado da história.
A PF aponta que, enquanto era diretor de Benefícios do INSS, em 2021, ele liberou R$ 15,3 milhões para a Conafer sem exigir sequer os documentos básicos.
Mas tudo certo: quem nunca assinou um repasse milionário sem conferir se havia filiados de verdade? Afinal, burocracia atrasa demais.
O resultado? A reativação das famosas listas fraudulentas, que permitiram descontos em mais de 650 mil benefícios. Coisa pouca.
Gratidão é tudo
Em mensagens interceptadas, Oliveira teria até agradecido ao operador financeiro do grupo, Cícero Marcelino — aquele que, segundo a PF, tocava as empresas de fachada que distribuíam propinas.
Planilhas apreendidas registram pagamentos de R$ 100 mil ao tal “São Paulo Yasser”. Como Oliveira tinha os apelidos “Yasser” e “São Paulo”, a PF achou melhor ligar os pontos — afinal, para que ser sutil?
Medidas cautelares, mas nem tanto
O STF determinou buscas e tornozeleira eletrônica para Oliveira. A PF queria ir além: pediu fiança gorda e até prisão domiciliar. Mas Mendonça entendeu que ainda não há sinais de interferência nas investigações.