PGR apoia prisão domiciliar de Bolsonaro por saúde; decisão será de Moraes

Pedido tem base humanitária, apesar de condenação por tentativa de golpe e organização criminosa
Redação

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou nesta segunda-feira (23) a favor do pedido de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. A solicitação foi apresentada pela defesa com base no agravamento do estado de saúde do ex-chefe do Executivo.

Bolsonaro está preso no âmbito do processo que trata da tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. No entanto, no dia 13 de março, ele precisou ser transferido para o hospital após passar mal, sendo diagnosticado com broncopneumonia decorrente de broncoaspiração.

Foto: Sérgio Lima - 14.nov.25/AFP
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em casa, em novembro, onde cumpria prisão domiciliar

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Na manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral Paulo Gonet apontou que a situação clínica exige cuidados contínuos que, segundo ele, não podem ser plenamente garantidos no ambiente prisional.

De acordo com o PGR, a medida não tem relação com absolvição ou revisão da condenação, mas sim com a necessidade de assegurar a integridade física de uma pessoa sob custódia do Estado. “Está demonstrado que o estado de saúde demanda atenção constante”, destacou.

A decisão final caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Ele já havia solicitado informações detalhadas ao hospital DF Star, que encaminhou relatórios médicos e o prontuário completo do ex-presidente.

Apesar de boletins indicarem “boa evolução”, ainda não há previsão de alta hospitalar. A defesa sustenta que houve piora no quadro clínico e que a unidade prisional não oferece condições adequadas para o tratamento necessário, pedindo a reconsideração de decisão anterior que havia negado o benefício.

Medida humanitária não altera condenação

O pedido de prisão domiciliar, se concedido, deve ser interpretado exclusivamente sob o aspecto humanitário e de saúde. Bolsonaro permanece na condição de condenado pelos crimes investigados, e a eventual mudança de regime não representa qualquer tipo de absolvição ou reconhecimento de inocência.

A legislação brasileira prevê a possibilidade de flexibilização do regime de prisão em casos específicos, especialmente quando há risco à saúde ou à vida do custodiado, cabendo ao Judiciário avaliar os critérios técnicos e legais.

Pressão política e bastidores

A movimentação em favor da domiciliar contou com articulação de aliados políticos, como Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e integrantes do Congresso Nacional.

Nos bastidores, também houve avaliação de que o agravamento do quadro de saúde poderia gerar repercussões políticas sensíveis, especialmente diante da responsabilidade do Estado sobre pessoas sob sua custódia.

Próximos passos

Com a manifestação da PGR, caberá agora ao STF decidir se concede ou não a prisão domiciliar. A análise deve considerar tanto os aspectos legais quanto os laudos médicos apresentados.

O caso segue em andamento e permanece como um dos mais relevantes do cenário político e jurídico nacional, envolvendo não apenas a responsabilização penal, mas também o equilíbrio entre cumprimento da pena e garantias fundamentais.

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