Piauí apresenta IA gigante — e mostra que cérebro digital não depende de eixo Rio-SP

SoberanIA usa 350 bilhões de tokens e desafia quem achava que inovação só nasce em outros centros
Redação

O governador Rafael Fonteles vai a Brasília na terça (9) com a confiança de quem carrega nas mãos um feito improvável para alguns e inevitável para quem acompanha o avanço tecnológico do Piauí: o lançamento do SoberanIA, um modelo de linguagem com 350 bilhões de tokens em português — hoje, o maior da língua validado para uso comercial. Nada mal para um estado que, até outro dia, era lembrado por praia, cajuína e terço de solenidades. Agora, o cardápio inclui inteligência artificial.

Foto: Renato Braga
Governador Rafael Fonteles e a Ministra Luciana Santos da Ciência, Tecnologia e Inovação

No palco do Encontro Nacional de IA Soberana, o Piauí mostrará que não está brincando de futuro: já existem aplicações rodando via API, como o Piauí Oportunidades e o BO Fácil, que entregam serviço público sem fila, carimbo ou “volte amanhã”. Enquanto uns ainda discutem se IA vai tirar emprego, o SoberanIA já está arrumando a burocracia — esse inimigo mais resistente que qualquer bug.

Por trás da façanha, uma estrutura que faz inveja: um supercomputador com desempenho 250 vezes superior ao de uma máquina comum, 2000 GB de memória RAM e oito placas de vídeo Nvidia prontas para transformar bits em soluções. Instalado na Etipi, ele é a prova de que o Nordeste não só consome tecnologia — produz. E com gosto.

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O lançamento reúne ministérios, Telebras, indústria tecnológica e quem mais quiser entender como um estado com sotaque forte conseguiu construir um modelo igualmente robusto. A discussão é sobre nuvem soberana, fábrica de IA 100% brasileira e, de quebra, aquela cutucada elegante em quem sempre achou que inovação precisa ter vista para o Lago Paranoá ou para a Faria Lima.

Enquanto isso, o Piauí faz o que sempre fez bem: surpreende quem não prestou atenção. E agora, com 350 bilhões de tokens, a inteligência artificial do estado está pronta para mostrar que genialidade não depende de CEP — só de investimento, teimosia e um supercomputador que não conhece a palavra “limite”.

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