STF cria regra para penduricalhos e mantém brecha acima do teto

Decisão tenta impor limites, mas ainda permite ganhos além do salário máximo

O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu novas regras para os chamados “penduricalhos” no Judiciário e no Ministério Público. A decisão estabelece critérios e limites, mas, na prática, mantém a possibilidade de remunerações acima do teto constitucional.

O teto hoje corresponde ao salário de ministros do STF, mas a própria Corte autorizou, dentro de parâmetros, pagamentos adicionais que podem chegar a até 70% desse valor, somando verbas indenizatórias e benefícios por tempo de carreira.

Foto: Antonio Augusto - 2.fev.26/Divulgação STF
Ministros do STF durante a sessão de abertura do ano judiciário

A intenção foi organizar o cenário e conter excessos reconhecendo, inclusive, distorções anteriores. Ainda assim, o resultado final acabou criando uma espécie de “meio-termo”: nem libera geral, nem corte definitivo.

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Foram definidas verbas permitidas, como diárias, ajuda de custo, acúmulo de funções e indenizações específicas, enquanto outros benefícios considerados excessivos foram proibidos, como auxílios diversos e licenças compensatórias.

No papel, uma tentativa de moralizar. Na prática, uma solução que ainda permite ultrapassar o teto desde que dentro das regras.

A decisão vale como transição até que o Congresso Nacional aprove uma lei definitiva sobre o tema. Até lá, caberá ao CNJ e ao CNMP padronizar e fiscalizar os pagamentos.

Do ponto de vista legal, tudo dentro das normas estabelecidas. Já no campo da percepção pública, fica aquela sensação conhecida: criou-se um limite… com espaço suficiente para ser ultrapassado.

Agora, resta acompanhar se a futura legislação conseguirá equilibrar o que é juridicamente possível com o que a sociedade considera razoável.

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