STF enfrenta críticas na pré-campanha e ministros divergem sobre reação
Corte se divide entre postura firme e estratégia discreta diante de ataques políticos
RedaçãoMinistros do Supremo Tribunal Federal avaliam que a atuação da Corte passou a ser alvo frequente no discurso de pré-candidatos para as eleições de 2026. Diante desse cenário, há consenso sobre o aumento das críticas, mas divergência interna sobre como reagir.
Parte dos ministros defende uma postura mais firme, com respostas públicas diretas a ataques considerados infundados. Esse grupo entende que manifestações mais incisivas ajudam a preservar a autoridade institucional e a esclarecer a população. Entre os que adotam essa linha está Gilmar Mendes, que tem se posicionado de forma contundente em episódios recentes.
Outro grupo, por sua vez, avalia que a melhor estratégia é a discrição, evitando ampliar o alcance de críticas e reduzir o desgaste da imagem do tribunal. Essa ala defende menor exposição pública e aposta em uma postura institucional mais reservada.
O debate interno ganhou força após episódios envolvendo declarações de agentes políticos, como o senador Alessandro Vieira e o ex-governador Romeu Zema, que fizeram críticas ao STF em diferentes contextos. As manifestações geraram reações dentro da Corte e intensificaram a discussão sobre limites entre liberdade de expressão e ataques institucionais.
Também há divergências quanto ao tom das respostas. Mesmo entre ministros que defendem firmeza, existe preocupação com possíveis excessos que possam ampliar o desgaste público ou fortalecer narrativas políticas contrárias ao tribunal.
O tema se conecta ainda a discussões internas sobre governança e imagem institucional, incluindo propostas como a criação de um código de conduta para ministros, defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
Outro ponto de divergência envolve o futuro de investigações em curso, como o chamado inquérito das fake news, aberto em 2019. Enquanto alguns defendem sua continuidade como instrumento de proteção institucional, outros avaliam a necessidade de encerramento em prazo mais curto.
As diferenças de posicionamento também devem influenciar a atuação do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2026, especialmente com a mudança de comando prevista para os próximos meses.
Apesar das divergências, ministros ressaltam que o debate interno é natural em um colegiado e não representa ruptura, mas sim diferentes visões sobre a melhor forma de preservar a imagem e a atuação do Judiciário em um ambiente político cada vez mais polarizado.