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Repasses milionários do Banco Master entram no radar de investigação sobre combustíveis no Rio

Empresa que recebeu R$ 102 milhões é citada em apuração sobre lavagem de dinheiro e uso de laranjas
Redação

Um conjunto de movimentações financeiras envolvendo o Banco Master e empresas sediadas no Rio de Janeiro passou a chamar a atenção de investigadores que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial no setor de combustíveis.

Dados revelam que, entre 2023 e 2025, o Banco Master realizou pagamentos que somam R$ 102 milhões à Metanoein Participações e Consultoria Ltda. As transferências foram registradas pela instituição financeira como remuneração por prestação de serviços.

Foto: ReproduçãoImóvel na avenida Cônego Vasconcelos, em Bangu, zona oeste do Rio, que abriga sede de duas empresas ligadas a pagamentos milionários feitos pelo Master
Imóvel na avenida Cônego Vasconcelos, em Bangu, zona oeste do Rio, que abriga sede de duas empresas ligadas a pagamentos milionários feitos pelo Master

A empresa, entretanto, passou a ser citada em uma investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionado ao mercado de combustíveis no estado do Rio de Janeiro.

A sócia-administradora da Metanoein é Rose Evelyn Machado Coité, empresária conhecida no bairro de Bangu, na zona oeste da capital fluminense. Segundo informações constantes em investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal, ela é apontada como integrante de um grupo que controlaria uma rede de postos de combustíveis por meio de terceiros, conhecidos popularmente como "laranjas".

Apesar das suspeitas, não existem postos registrados oficialmente em nome de Rose Evelyn ou de seus familiares. Os registros da Receita Federal mostram participação da empresária em empresas ligadas a consultoria, advocacia e serviços de diagnósticos médicos.

Investigação envolve dezenas de empresas

O caso ganhou novos desdobramentos após medidas judiciais determinarem restrições sobre movimentações financeiras ligadas à Metanoein. Embora o processo tramite sob sigilo, documentos públicos da Junta Comercial apontam a existência de pedidos de bloqueio de contas e aplicações financeiras envolvendo integrantes da família da empresária.

As investigações alcançam ao menos 46 empresas e apuram a suposta utilização de estruturas empresariais para ocultação patrimonial e movimentação de recursos de origem suspeita.

O Ministério Público Federal também investiga a atuação de pessoas apontadas como proprietárias de postos de combustíveis registrados em nome de terceiros.

Empresas compartilham endereço e estrutura societária

Outro aspecto que chamou a atenção dos investigadores é a ligação entre a Metanoein e a empresa Mídias Promotora Ltda., que também aparece entre as maiores recebedoras de recursos do Banco Master.

Segundo registros empresariais, a Mídias Promotora recebeu aproximadamente R$ 126,6 milhões da instituição financeira. As duas empresas funcionam no mesmo endereço comercial em Bangu e possuem estruturas societárias semelhantes.

Documentos apontam ainda que ambas participaram da constituição de Sociedades em Conta de Participação (SCPs), modalidade empresarial que permite a existência de sócios ocultos, no mesmo dia: 28 de julho de 2021.

Operações ampliam apuração

As investigações ocorrem paralelamente a operações realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público que buscam identificar possíveis conexões entre o setor de combustíveis, organizações criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro.

Uma das linhas de apuração analisa a eventual utilização de empresas formalmente regulares para movimentação de recursos e ocultação de patrimônio.

Até o momento, não há decisão judicial definitiva que atribua responsabilidade criminal aos investigados citados nas apurações. As investigações seguem em andamento e os órgãos responsáveis continuam reunindo documentos, movimentações financeiras e informações patrimoniais para aprofundar a análise dos fatos.

Procurados por veículos de imprensa, representantes das empresas mencionadas e pessoas citadas nas investigações não apresentaram manifestações públicas sobre o conteúdo das apurações mais recentes.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

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