Delegado descarta delação premiada e confirma prorrogação de inquérito que investiga Sol Pessoa
Operação Gabinete de Ouro apura suspeitas de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro na gestão da PMT
RedaçãoO delegado Ferdinando Martins, coordenador do Departamento de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (Deccor), confirmou nesta terça-feira (11) a prorrogação do inquérito que investiga Sol Pessoa, ex-chefe de gabinete do prefeito Dr. Pessoa, e outras três pessoas.
Os investigados são alvos da Operação Gabinete de Ouro e são suspeitos de associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro durante a antiga gestão da Prefeitura de Teresina.
“Muito cedo para falar em delação premiada”, diz delegado
Em entrevista a meio de comunicação local, o delegado descartou qualquer definição sobre acordo de delação premiada neste momento.
“É muito cedo para falar em uma delação premiada. Como a gente sempre cita, a delação tem que partir dos investigados. A polícia não pode optar por isso ou traçar essa escolha. A gente trabalha com as evidências e com o material colhido dia a dia”, explicou Ferdinando Martins.
O delegado ressaltou que o trabalho policial segue sob sigilo e que ainda é cedo para divulgar detalhes sobre o andamento do inquérito.
“A investigação trabalhou os nomes que apareceram citados, colhemos depoimentos e algumas situações foram esclarecidas. Mas maiores dados e informações a gente não pode declinar, até porque há sigilo judicial determinado sobre as diligências, e são informações que optamos por preservar”, declarou.
Documentos da Prefeitura ainda não foram entregues
Martins também informou que a Prefeitura de Teresina ainda não enviou documentos solicitados pela investigação, cujo prazo inicial era de 20 dias.
Esses materiais são referentes a emendas parlamentares destinadas a uma das pastas da gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa e fazem parte de uma ação paralela, denominada Operação Interpostos.
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Parte dos investigados colaborou com a polícia
Questionado sobre o comportamento dos investigados, o delegado explicou que alguns colaboraram com os depoimentos, enquanto outros optaram pelo silêncio.
“Sobre a intenção dos investigados, se colaboraram de fato ou se mantiveram a postura de silenciamento, a gente também não pode julgar sobre isso. Há sigilo judicial determinado sobre as diligências, e são informações que optamos por preservar”, acrescentou.
Entenda a Operação Gabinete de Ouro
A Operação Gabinete de Ouro foi deflagrada em outubro deste ano pela Polícia Civil do Piauí e resultou na prisão temporária da ex-chefe de gabinete Suelene da Cruz Pessoa (Sol Pessoa), do servidor público Rafael Thiago, do servidor terceirizado Mauro José e do empresário Marcus Almeida.
As investigações apuram desvio de recursos públicos, pagamento de propinas e esquema de rachadinhas envolvendo setores da gestão municipal.
A operação também determinou o bloqueio de bens e valores que somam mais de R$ 75 milhões.
De acordo com o Departamento de Combate à Corrupção (Deccor), as investigações começaram há cerca de um ano, a partir de denúncia anônima acompanhada de um dossiê que detalhava o funcionamento do suposto esquema.