Empreendedores do Ilusionismo Automotivo Conhecem a Viatura por Dentro no PI e PE
Promessa de carro em três dias virou consórcio de 100 meses e aula prática sobre golpe
RedaçãoQuem disse que empreendedorismo não exige criatividade claramente não conhecia os dois “visionários” presos nesta quarta-feira (25) no Piauí e em Pernambuco. Especialistas em transformar sonho de carro próprio em longa espera por assembleia de consórcio, eles agora experimentam a logística eficiente da viatura policial.
A operação integrada da Polícia Civil dos dois estados colocou fim ao menos por enquanto ao modelo de negócio que vendia “financiamentos imperdíveis” nas redes sociais, especialmente no Facebook. O roteiro era simples, quase didático: anúncio chamativo, proposta “boa demais para ser verdade” e promessa de entrega do veículo em até três dias. Spoiler: era mesmo bom demais para ser verdade.
Segundo o delegado Walter Cunha, da 6ª Seccional da PC-PI, as vítimas eram convidadas a comparecer às empresas e, lá, recebiam a orientação de pagar uma “entradinha” que podia chegar a R$ 12 mil. Em troca? Um contrato que parecia financiamento, soava como financiamento, mas era… consórcio. E não qualquer consórcio: alguns com prazo de até 100 meses. Ou seja, o carro prometido para sexta-feira poderia chegar, com sorte, na próxima década.
A parte pedagógica da história começa aqui:
Quando o contrato diz consórcio, é consórcio.
Quando o veículo do anúncio é “meramente ilustrativo”, acenda o alerta.
E quando a promessa é rápida demais, a cautela deve ser mais rápida ainda.
O problema não parava na troca criativa de conceitos. Após o pagamento, os veículos simplesmente não eram entregues e o dinheiro tampouco voltava para o bolso das vítimas. Ao questionarem a empresa, os clientes ouviam justificativas evasivas, promessas de que “o carro está chegando” ou a clássica informação de que o prazo para rescisão já teria expirado. Curiosamente, esse prazo sempre parecia vencer no exato momento em que a vítima percebia o golpe.
Para completar o pacote de irregularidades, uma das empresas sequer tinha autorização do Banco Central do Brasil para operar consórcios. Um detalhe pequeno, quase irrelevante se você ignorar o fato de que é ilegal.
A Justiça determinou a suspensão das atividades das empresas envolvidas, além de mandados de busca e apreensão e a prisão dos dois proprietários. Agora, a Polícia Civil segue investigando para identificar outras vítimas e responsabilizar todos os participantes do esquema.
Fica a lição:
Antes de assinar qualquer contrato, leia com calma.
Desconfie de promessas milagrosas.
Verifique se a empresa tem autorização para operar.
Porque o único “prazo de três dias” que realmente funcionou nessa história foi o da operação policial.