Justiça Eleitoral condena vereadora a quase 20 anos e manda recado contra crimes eleitorais

Decisão aponta organização criminosa e reforça que compra de votos não tem espaço na democracia
Redação

A Justiça Eleitoral do Piauí deu uma resposta dura e didática ao condenar a vereadora Tatiana Medeiros a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além da perda do mandato e da proibição de exercer função pública. A sentença também impõe o pagamento solidário de R$ 1 milhão por danos à coletividade.

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Tatiana Medeiros na chegada no Fórum Eleitoral

A decisão, proferida por um colegiado de três juízes diante da complexidade do caso, reconheceu a prática de crimes como organização criminosa, compra de votos, lavagem de dinheiro, peculato-desvio, falsidade ideológica e apropriação indevida de recursos públicos.

Segundo a sentença, ficou comprovado um esquema estruturado, com divisão de tarefas, envolvendo captação de eleitores, controle de votos e movimentações financeiras irregulares. Uma entidade social teria sido utilizada como intermediária para concessão de benefícios em troca de apoio político. Em outras palavras, um “modelo de campanha” que a legislação brasileira faz questão de proibir.

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O juízo foi direto ao afirmar: autoria e materialidade comprovadas. Argumentos da defesa sobre nulidade de provas e cerceamento foram rejeitados, e os elementos reunidos considerados válidos para sustentar a condenação.

A pena foi construída a partir de cinco condenações distintas, incluindo corrupção eleitoral em 95 episódios e peculato em 12 ocorrências. O resultado final deixa claro que, ao contrário de promessas fáceis em período eleitoral, a conta chega — e pode ser alta.

A defesa classificou a decisão como “absolutamente injusta” e informou que irá recorrer. Ainda assim, a Justiça negou o direito de recorrer em liberdade para os apontados como líderes do esquema.

A investigação, conduzida pela Polícia Federal no âmbito da operação Escudo Eleitoral II, apontou movimentação de mais de R$ 2 milhões em recursos ilícitos durante a campanha de 2024, incluindo pagamentos a eleitores e exigência de comprovação de voto.

A parlamentar está presa desde abril de 2025 e cumpre prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, afastada do cargo e proibida de frequentar a Câmara Municipal de Teresina.

Foto: Reprodução
Alandilson Cardoso chegando para audiência

O caso envolveu ainda outros oito réus, incluindo familiares e colaboradores, todos investigados por participação no esquema.

Mais do que uma sentença extensa são 205 páginas, a decisão reforça um princípio básico: na democracia, voto não é mercadoria. E, ao que tudo indica, quem insiste em tratar como se fosse acaba descobrindo que o preço pode ser bem diferente do esperado.

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