MPPI abre inquérito para apurar supostas irregularidades em instituto ligado a Tatiana Medeiros
Investigação apura possível desvio de finalidade, improbidade e movimentações financeiras suspeitas
RedaçãoO Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades relacionadas ao Instituto Vamos Juntos, entidade que já havia sido mencionada nas investigações que resultaram na condenação da vereadora afastada Tatiana Medeiros (PSB) por crimes eleitorais, lavagem de dinheiro e peculato-desvio.
A medida foi formalizada pelo promotor de Justiça José Reinaldo Leão Coelho, titular da 25ª Promotoria de Justiça de Teresina, após a análise de documentos compartilhados pela Polícia Federal e de informações financeiras obtidas em investigações anteriores.
Segundo a portaria de instauração, o objetivo é apurar possíveis atos de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito, lesão ao patrimônio público e eventual desvio de finalidade do Instituto Vamos Juntos.
Movimentações financeiras sob análise
De acordo com o Ministério Público, há indícios de que a entidade possa ter sido utilizada para a captação e movimentação de recursos de origem supostamente ilícita. Os elementos analisados incluem dados obtidos por meio de quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça e documentos compartilhados pela Polícia Federal.
A investigação cita movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo a vereadora afastada Tatiana Medeiros, seu padrasto Stênio Ferreira Santos, o cunhado Lucas de Carvalho Dias Sena e o próprio instituto.
O MPPI também apura possíveis repasses financeiros oriundos da Assembleia Legislativa do Piauí e da Câmara Municipal de Teresina para pessoas ligadas ao grupo investigado, além de suspeitas de intermediação de nomeações em órgãos públicos, fatos que ainda serão objeto de aprofundamento investigativo.
Entidade já havia sido citada em ação eleitoral
O Instituto Vamos Juntos já figurava nas investigações da ação penal eleitoral que culminou na condenação de Tatiana Medeiros e de outras sete pessoas ligadas à campanha eleitoral de 2024.
Na sentença proferida pela Justiça Eleitoral, o colegiado responsável pelo julgamento concluiu que existia uma estrutura voltada à compra de votos, movimentação irregular de recursos e utilização de uma entidade social para captação de eleitores. Na decisão, o instituto foi apontado como uma das estruturas utilizadas pelo grupo investigado.
Tatiana Medeiros foi condenada a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. A defesa da parlamentar recorre da decisão.
Nova apuração tem foco na esfera cível
O Ministério Público destaca que o novo procedimento possui natureza distinta da ação penal eleitoral já julgada pela Justiça.
Enquanto o processo eleitoral tratou da responsabilização criminal dos investigados, o inquérito civil busca verificar possíveis atos de improbidade administrativa, desvio de finalidade institucional e eventual prejuízo aos cofres públicos.
A investigação segue em tramitação na 25ª Promotoria de Justiça de Teresina, que deverá realizar novas diligências, análises documentais e oitivas para esclarecer os fatos apontados no procedimento.
O MPPI ressalta que a instauração do inquérito não representa conclusão sobre a existência de irregularidades, mas sim uma etapa de aprofundamento das investigações para apuração dos fatos.