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Projetos recuperam árvores nativas e ajudam a reconstruir a Mata Atlântica no sul da Bahia

Iniciativas unem reflorestamento, manejo sustentável e créditos de carbono em áreas antes degradadas
Redação

O sul da Bahia, região marcada pelo início da exploração da Mata Atlântica durante a colonização do Brasil, vem se tornando palco de iniciativas voltadas à recuperação da vegetação nativa e à conservação ambiental. Empresas instaladas na região investem no reflorestamento de áreas degradadas, na produção sustentável de madeira e na geração de créditos de carbono, demonstrando que preservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.

Foto: Gabriel GamaIpês-felpudos (à esq.) e cedros-australianos (à dir.) em fazenda da Symbiosis em Porto Seguro (BA)
Ipês-felpudos (à esq.) e cedros-australianos (à dir.) em fazenda da Symbiosis em Porto Seguro (BA)

Uma dessas iniciativas é desenvolvida pela Symbiosis Investimentos, que atua em Porto Seguro desde 2010. O projeto começou produzindo cerca de 100 mil mudas por ano e, atualmente, alcança a marca de 3,9 milhões de mudas anuais destinadas ao plantio de espécies nativas da Mata Atlântica.

Além de recuperar áreas anteriormente ocupadas por pastagens, a empresa aposta em um modelo de manejo florestal sustentável, que busca reproduzir a diversidade natural da floresta. O objetivo é permitir a exploração controlada de madeira sem comprometer a regeneração do ecossistema.

Entre as espécies cultivadas estão árvores emblemáticas e ameaçadas de extinção, como pau-brasil, jacarandá-da-Bahia, jequitibá-rosa, peroba-rosa e braúna. Algumas delas apresentam tamanha raridade que a obtenção de sementes ainda representa um dos principais desafios para os projetos de restauração.

Ao longo de 15 anos, a empresa ampliou sua atuação para 12 fazendas, totalizando cerca de 5 mil hectares. Metade dessa área é destinada ao reflorestamento comercial e a outra metade permanece preservada para garantir a manutenção da biodiversidade.

O modelo também atraiu investidores internacionais. Em 2023, a Apple firmou parceria com a empresa por meio do Restore Fund, iniciativa voltada ao financiamento de projetos de remoção de carbono da atmosfera. Em 2025, a Symbiosis também recebeu financiamento do Fundo Clima para ampliar suas atividades de silvicultura com espécies nativas.

Outro diferencial do projeto é a emissão de créditos de carbono certificados, gerados a partir da recuperação florestal. A expectativa é emitir os primeiros créditos nos próximos meses e alcançar cerca de um milhão de créditos ao longo dos próximos 15 anos.

Além do mercado de carbono, a empresa prepara o início das operações de uma serraria voltada ao aproveitamento sustentável de madeiras nobres cultivadas em plantios legalizados, oferecendo uma alternativa ambientalmente responsável para setores como construção civil, arquitetura e design.

As iniciativas desenvolvidas no sul da Bahia representam uma mudança de perspectiva sobre áreas historicamente marcadas pelo desmatamento. Mais do que recuperar a paisagem, os projetos buscam devolver à Mata Atlântica parte de sua riqueza biológica, preservando espécies ameaçadas, fortalecendo a economia verde e contribuindo para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

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