PF apura repasse de R$ 61 milhões para filme e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro
Recursos destinados à produção de "Dark Horse" são alvo de investigação autorizada pelo STF
RedaçãoA Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação para apurar o repasse de R$ 61 milhões destinado ao financiamento do filme "Dark Horse". Segundo a corporação, a operação pode envolver indícios de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
De acordo com informações encaminhadas ao STF, a investigação buscará esclarecer a origem dos recursos e verificar a destinação efetiva dos valores transferidos por Daniel Vorcaro, por meio da empresa Entre Investimentos.
A Polícia Federal também pretende apurar se parte dos recursos poderia ter sido utilizada para custear despesas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos. A suspeita decorre do fato de os valores terem sido destinados a um fundo sediado no Texas e administrado por um advogado apontado como próximo ao parlamentar.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente ao pedido da Polícia Federal, entendendo que há elementos suficientes para a continuidade das apurações. O órgão, no entanto, ressaltou que a investigação deverá esclarecer os fatos e reunir provas sobre a movimentação financeira.
Após a divulgação do caso, o senador Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e afirmou que é falsa a informação de que seu irmão tenha sido beneficiário dos recursos. Segundo a manifestação pública do parlamentar, os aportes foram destinados exclusivamente a um fundo vinculado à produção cinematográfica, com estrutura jurídica própria e submetido à fiscalização das autoridades norte-americanas.
Pedido de deputado foi arquivado
Em paralelo, a Procuradoria-Geral da República posicionou-se contra a abertura de investigação com base em uma notícia-crime apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ).
Segundo a PGR, o pedido formulado pelo parlamentar possuía caráter mais genérico e não apresentava os mesmos elementos técnicos e probatórios reunidos pela Polícia Federal.
O ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao caso no Supremo Tribunal Federal, acolheu o parecer da Procuradoria e determinou o arquivamento do pedido apresentado pelo deputado, mantendo apenas o procedimento instaurado a partir da solicitação da Polícia Federal.
Até o momento, a investigação encontra-se em fase inicial e não há conclusão definitiva sobre a existência de eventuais irregularidades ou responsabilização dos envolvidos.