PF prende ex-presidente do BRB por suspeita de corrupção e lavagem

Investigação aponta ocultação de imóveis milionários ligados a esquema no Banco Master
Redação

A Polícia Federal do Brasil prendeu, nesta quinta-feira (16), o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, no âmbito de mais uma fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo negociações com o Banco Master.

A prisão também atingiu o advogado Daniel Monteiro, apontado como peça-chave na estrutura que, segundo as investigações, teria sido montada para dar aparência de legalidade a práticas ilícitas.

Foto: Ronny Santos
Ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso pela Polícia Federal

De acordo com a apuração, Costa é suspeito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com destaque para a suposta ocultação de seis imóveis avaliados em mais de R$ 140 milhões quatro em São Paulo e dois em Brasília que teriam sido recebidos como vantagem indevida.

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Nada mal para quem, em tese, deveria zelar pela integridade de uma instituição financeira pública.

As investigações indicam que esses bens estariam ligados à aprovação de carteiras de crédito consideradas irregulares, dentro de uma série de operações envolvendo o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.

Segundo a Polícia Federal, o esquema incluiria contratos fraudulentos, empresas de fachada e até um sistema de compliance paralelo — uma espécie de “controle interno sob medida”, que funcionaria mais para viabilizar negócios questionáveis do que para evitá-los.

Durante a gestão de Costa, entre 2019 e 2025, o BRB adquiriu cerca de R$ 21,9 bilhões em carteiras de crédito ligadas ao Master. Parte significativa desses ativos, aproximadamente R$ 12,3 bilhões, apresenta indícios de inconsistências, falta de lastro e até registros associados a pessoas já falecidas.

Um detalhe que, convenhamos, dificilmente passaria despercebido em um ambiente de controle rigoroso.

Relatório de auditoria independente conduzido pelo escritório Machado Meyer, com apoio da consultoria Kroll, reforçou as suspeitas. O documento aponta que diversas operações eram tratadas internamente como “negócio do presidente”, conduzidas com urgência incomum e, em alguns casos, sem a documentação exigida.

Há ainda indícios de fragmentação das operações para evitar análise do Conselho de Administração, além de pressão interna para aprovação rápida de transações bilionárias.

A investigação também alcança movimentos societários que levaram o próprio Vorcaro e associados a se tornarem acionistas relevantes do BRB, em operações que, segundo a auditoria, apresentam elementos de simulação.

A defesa de Paulo Henrique Costa nega irregularidades e sustenta que as decisões no banco eram colegiadas, envolvendo diferentes instâncias administrativas. Até o momento, não houve manifestação oficial após a prisão.

O caso expõe, mais uma vez, a importância de mecanismos sólidos de controle e fiscalização. Quando eles falham ou são convenientemente contornados o prejuízo não é apenas financeiro, mas institucional.

E é justamente aí que entra o papel das investigações: separar o que é gestão legítima do que, segundo os indícios, pode ter ultrapassado e muito os limites da legalidade.

Foto: Reprodução | Ana Paula Paiva/Valor
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

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