Polícia Civil reforça investigação sobre estupro em delegacia; suspeito segue preso
Delegado aponta contradições em depoimento e descarta versão de consentimento apresentada pelo investigado
RedaçãoA Polícia Civil do Piauí intensificou as investigações sobre o caso de suspeita de estupro ocorrido nas dependências da Delegacia-Geral, em Teresina. O principal investigado permanece preso preventivamente, enquanto as diligências avançam para esclarecer todos os detalhes do crime.
Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (23), o delegado-geral Luccy Keiko afirmou que o suspeito admitiu a prática de violência durante interrogatório, mas tentou atribuir responsabilidade à vítima ao alegar que teria havido consentimento.
Segundo o delegado, essa versão não encontra respaldo nos elementos já reunidos pela investigação. Ele destacou que a vítima foi localizada inconsciente, com sinais de violência física, o que contraria a narrativa apresentada pelo investigado.
“O conjunto de indícios aponta inconsistências relevantes no depoimento. A vítima estava desacordada, com sinais evidentes de agressão, e não houve qualquer solicitação imediata de socorro por parte do suspeito”, afirmou.
De acordo com a apuração, o homem apresentou versões contraditórias ao longo dos depoimentos e demonstrou comportamento considerado incompatível com a gravidade da situação. O interrogatório foi realizado na Casa da Mulher Brasileira, unidade especializada no atendimento a vítimas de violência.
Durante as investigações, também foi levantada a hipótese de possível tentativa de intimidação, após o suspeito ter buscado informações sobre o estado de saúde da vítima por meio de terceiros. O ponto segue sob análise da equipe responsável pelo caso.
Força-tarefa conduz investigação
Para garantir rigor e celeridade, a Polícia Civil instituiu uma força-tarefa composta por três delegadas: Lucivânia Vidal, Nathalia Figueiredo e Bruna Verena. O grupo foi designado formalmente para conduzir o inquérito.
A equipe terá prazo inicial de 30 dias para conclusão dos trabalhos, podendo ser prorrogado conforme a necessidade das investigações. A delegada Lucivânia Vidal destacou que o caso será tratado com prioridade e rigor técnico, considerando a gravidade dos fatos.
Dinâmica do caso
O crime teria ocorrido por volta das 13h40 da última quinta-feira (19), no pavimento superior da Delegacia-Geral. A vítima, uma servidora comissionada, foi encontrada por outra funcionária, que estranhou ruídos vindos de uma sala ao retornar ao local durante o horário de almoço.
Ao se aproximar, a testemunha relatou ter visto o suspeito na porta e a vítima caída no interior do ambiente. Na ocasião, ele teria solicitado ajuda, alegando que a mulher havia passado mal.
A área foi isolada e submetida à perícia técnica, e os laudos devem contribuir para a consolidação das provas já reunidas no inquérito.
Estado de saúde da vítima
A servidora permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem previsão de alta. Ela chegou a ficar entubada por cerca de três dias e, mesmo sob cuidados intensivos, apresenta episódios de agitação, confusão mental e sinais de pânico.
De acordo com a defesa, a paciente também manifesta reações compatíveis com estado de defesa e solicitações frequentes de ajuda, o que reforça a gravidade do quadro clínico.
A família aguarda a possibilidade de transferência para um hospital da rede privada, condicionada à liberação de vaga pelo plano de saúde.
Andamento das investigações
A Polícia Civil segue reunindo provas técnicas, testemunhais e periciais para esclarecer completamente as circunstâncias do caso. O objetivo é garantir a responsabilização adequada, respeitando o devido processo legal e a proteção integral da vítima.
O caso continua sob sigilo parcial, em razão da natureza dos fatos, e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das investigações.