Quarto dia de audiência de Tatiana Medeiros tem quatro réus silenciando após depoimentos antecipados
Sessão ouviu 12 testemunhas, dispensou outras quatro e antecipou a oitiva de familiares da vereadora, que permaneceram calados
RedaçãoO quarto dia de audiência de instrução da vereadora Tatiana Medeiros foi encerrado às 13h20 desta quinta-feira (27), após uma manhã de depoimentos marcada pela celeridade. Ao todo, 12 testemunhas foram ouvidas e outras quatro acabaram dispensadas pelo juízo. Com o andamento mais rápido do que o previsto, quatro réus que seriam ouvidos apenas na sexta-feira (28) tiveram suas oitivas antecipadas.
Prestaram depoimento — todos permanecendo em silêncio — Stênio Ferreira Santos (padrasto da vereadora), Maria Odélia de Aguiar Medeiros (mãe), Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã) e Lucas de Carvalho Dias Sena (cunhado). Para esta sexta-feira, estão previstas as oitivas da própria Tatiana Medeiros, de Alandilson Cardoso, Bruna Raquel Lima Sousa, Emanuelly Pinho de Melo e Sávio de Carvalho França.
Tatiana Medeiros foi presa durante operação da Polícia Federal e responde a acusações de integrar organização criminosa, compra de votos, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e peculato — este último relacionado ao esquema de “rachadinha”. A Justiça Eleitoral tornou ré a vereadora e mais oito pessoas: Alandilson Cardoso Passos (namorado), Stênio Ferreira Santos, Maria Odélia de Aguiar Medeiros, Bianca dos Santos Teixeira Medeiros, Lucas de Carvalho Dias Sena, Emanuelly Pinho de Mello (assessora), Bruna Raquel Lima Souza e Sávio de Carvalho França (funcionários da ONG Vamos Juntos).
Durante a audiência, o promotor Mário Normando reiterou que há provas robustas de compra de votos utilizando a estrutura do instituto ligado à parlamentar. Segundo ele, a campanha de Tatiana teria movimentado mais de R$ 2 milhões em recursos ilícitos provenientes de organização criminosa.
O Ministério Público aponta ainda pagamentos via Pix para eleitores no dia da eleição, além da exigência de registro fotográfico do voto para comprovação do apoio à candidata — acusação contestada pela defesa.
Já a defesa de Alandilson Cardoso e dos demais réus sustenta que parte das provas seria nula por supostamente se basear em relatório de inteligência financeira obtido de maneira ilegal. Segundo o advogado, o debate atual não diz respeito à validade do relatório em si — já decidida —, mas à possibilidade de que uma prova declarada ilícita em um processo possa ser usada como prova emprestada em outra instância ou procedimento administrativo.
As audiências seguem nesta sexta-feira com a oitiva dos principais investigados.