Sem “ordem explícita”, mas com Pix no dia da eleição

Perícia não vê comando direto de compra de votos, apesar de comprovantes, planilhas e mensagens no 6/10
Redação

A perícia da Polícia Federal que analisou o relatório de extração de dados do celular da vereadora Tatiana Medeiros concluiu que não encontrou “determinação explícita” de compra de votos nas eleições municipais de 2024, nem indícios de vínculo com facção criminosa. Um detalhe técnico que, ao que tudo indica, faz toda a diferença.

Foto: Reprodução
Saída de Tatiana Medeiros e Alandilson do fórum no primeiro dia de audiência

O laudo integra as investigações da Ação Penal Eleitoral e foi elaborado com base em relatório de extração forense dos dados do aparelho e não a partir do celular físico em si. Ou seja: a análise considerou o que foi extraído, dentro das limitações apontadas pela própria perícia.

Tatiana Medeiros está presa desde abril do ano passado sob suspeita de crimes eleitorais e envolvimento com organização criminosa. A audiência de instrução e julgamento ocorreu no fim de novembro, e o processo aguarda sentença.

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O trabalho técnico, assinado pelo perito criminal Weyler Nunes, aponta a existência de registros de transferências bancárias via Pix realizadas no dia da eleição, 6 de outubro de 2024. Também foram identificadas imagens com comprovantes de votação, fotos de títulos de eleitor e planilhas com nomes e quantidades de eleitores armazenadas no celular.

Apesar desse conjunto de elementos, o laudo afirma não ter localizado ordem direta ou comando explícito determinando a compra de votos. Segundo o perito, embora haja diversas referências ao termo “compra de votos” em diálogos extraídos sendo muitas delas relacionadas a notícias divulgadas na mídia e não foi encontrada determinação expressa vinculada à investigada.

Ao mesmo tempo, o próprio relatório ressalta que os registros podem indicar a possibilidade de relação com a prática de compra de votos. A perícia também pondera que, sem acesso ao aparelho físico, não é possível assegurar se os dados foram completamente preservados.

As conversas analisadas foram apresentadas em forma de imagens copiadas diretamente do relatório técnico, sem transcrição manual por parte dos agentes. Assim, entre planilhas, comprovantes e transferências realizadas no exato dia do pleito, o que não apareceu foi a frase mágica aquela ordem direta e inequívoca que encerraria a discussão.

Por ora, o que há oficialmente é a ausência de comando explícito. O restante é Pix no dia da eleição, listas de eleitores e comprovantes de votação que segue como “possibilidade de relação”, aguardando a palavra final da Justiça.

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