Três anos sem resposta: pais de Janaína Bezerra vão às ruas exigir justiça

Manifestação cobra novo julgamento e reconhecimento do crime como feminicídio
Redação

Três anos após a morte brutal da estudante Janaína Bezerra, a dor segue viva — e a justiça, pendente. Nesta quarta-feira (28), data que marca o aniversário do crime, pais, amigos, militantes e estudantes se reuniram no Parque da Cidadania, no Centro de Teresina, para cobrar respostas do sistema de Justiça e impedir que o caso caia no esquecimento.

Foto: Reprodução
Manifestação por justiça

Janaína foi estuprada e assassinada dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em um crime que chocou o país e expôs falhas profundas na proteção às mulheres e na responsabilização dos culpados. Mesmo sob chuva, o ato foi mantido como símbolo de resistência e denúncia contra a morosidade judicial que, três anos depois, ainda impede um desfecho definitivo.

Para os participantes, a mobilização também reafirma uma cobrança central: que o crime seja reconhecido como feminicídio, algo que, segundo o movimento, vem sendo negligenciado desde o início do processo.

Continue lendo após a publicidade

Dor que não prescreve

Sem data para um novo júri popular, após a anulação do primeiro julgamento do réu Thiago Mayson, os pais de Janaína convivem diariamente com a ausência da filha e com a espera por justiça.

A mãe, Socorro da Silva, resumiu o sentimento de quem aguarda há três anos por uma resposta que não vem.

“É muita tristeza. A gente espera esse julgamento há três anos e não tem resposta nenhuma. Só Deus para nos dar força, porque a Justiça ainda não cumpriu o papel dela”, disse.

Socorro também lembrou o sonho interrompido da filha, que cursava jornalismo.

“Ela queria ser jornalista. A gente lutou muito para manter ela na universidade, nunca deixamos faltar nem a passagem de ônibus. Hoje sobra a saudade e a dor de um sonho que foi arrancado”, afirmou.

O pai, Adão Bezerra, falou do impacto permanente da impunidade sobre a saúde e a rotina da família.

“Eu só quero justiça. Minha filha só vivia da universidade para casa. Esse sofrimento não acaba enquanto esse caso não for resolvido. Tenho depressão, tem dia que não consigo trabalhar. A tristeza fica dentro de casa o tempo todo. A gente só quer justiça para ter um pouco de paz”, desabafou.

Foto: Redes Sociais
Manifestação por justiça na questão da morte Janaína

Revolta e revitimização

Para estudantes e movimentos sociais, a falta de uma resposta firme do Judiciário amplia a sensação de injustiça. A estudante Rayssa Maria destacou que a ausência de reconhecimento do feminicídio contribui para a revitimização de Janaína.

“É revoltante porque, desde o início, nem a universidade nem a Justiça encararam o caso como feminicídio. A Janaína acaba sendo revitimizada, porque precisamos revisitar esse crime o tempo todo para que ele não seja esquecido”, afirmou.

Julgamento anulado e impasse judicial

Thiago Mayson chegou a ser condenado a 18 anos e seis meses de prisão por homicídio qualificado com emprego de meio cruel, estupro de vulnerável, vilipêndio de cadáver e fraude processual. No entanto, após recursos do Ministério Público do Piauí e da assistência de acusação que representa a família, a sentença foi anulada. À época, a pena foi considerada insuficiente diante da gravidade dos crimes.

Três anos depois, sem novo julgamento marcado, a manifestação reforça um recado claro: enquanto não houver justiça, a memória de Janaína seguirá ocupando as ruas — como denúncia, como resistência e como exigência de que o Estado cumpra seu dever.

Leia também