Câmara absolve Zambelli e abre caminho para poupar Eduardo Bolsonaro
Plenário transforma faltas e condenações em detalhe menor — para azar da sociedade e sorte dos deputados
A Câmara dos Deputados decidiu, mais uma vez, que a regra é clara: quando o problema envolve um dos seus, sempre cabe uma interpretação criativa. A prova disso veio com a “redenção” de Carla Zambelli, que, mesmo presa na Itália e com duas condenações que preveem perda de mandato, conseguiu ser salva pelo plenário.
Com 227 votos — 30 a menos do necessário para a cassação — os deputados concluíram que a ausência prolongada de Zambelli não passa de um detalhe administrativo, ainda que ela esteja fisicamente impossibilitada de comparecer ao trabalho. Para a Casa, aparentemente, faltar sessão lá da Europa é só uma questão de logística.
E, claro, o precedente cai como uma luva para Eduardo Bolsonaro, que também está longe do Congresso, mas por opção própria: preferiu os Estados Unidos ao plenário. Como o caso dele é visto como “menos grave” que o da colega, a matemática política já está resolvida.
Quem perde? A sociedade, que assiste à Câmara transformar punição disciplinar em obra de ficção, onde tudo se ajeita — desde que o beneficiado seja deputado.