Camilo defende ampliar alianças e admite debate sobre vice de Lula
Ministro cita nomes do MDB e aponta polarização como razão para rever composição da chapa
RedaçãoEm entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ampliar o arco de alianças para a eleição de 2026 e admitiu que a composição da vice-presidência pode entrar no debate político.
Camilo ressaltou que o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, é uma pessoa “extraordinária, correta e leal”, mas ponderou que o cenário de forte polarização no país exige diálogo amplo com outras forças partidárias.
Na entrevista, o ministro apontou o Movimento Democrático Brasileiro como o aliado mais viável para uma aliança formal. Entre os nomes que poderiam compor uma eventual chapa como vice, mencionou o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o governador do Pará, Helder Barbalho. Também citou a ministra do Planejamento, Simone Tebet, como um quadro relevante.
Ao recordar a experiência passada de aliança entre PT e MDB, com Michel Temer na vice-presidência, Camilo reconheceu os desdobramentos políticos daquele período, mas defendeu que o histórico não deve impedir novas articulações.
O ministro também avaliou o cenário eleitoral nacional, afirmando que o ambiente segue marcado pela polarização e pela força do bolsonarismo. Citou como possíveis adversários nomes como Flávio Bolsonaro e Romeu Zema, destacando que o resultado pode depender do número de candidaturas e do impacto das campanhas, inclusive com o uso de inteligência artificial.
Sobre a política econômica, Camilo comentou que medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda podem ter efeito gradual na percepção do eleitorado. Também defendeu maior rigor legal no combate a desinformação eleitoral.
Ao tratar da política nos estados, reforçou que eventuais composições locais devem ser analisadas à luz do projeto nacional. E, ao falar de nomes para disputas regionais, elogiou Fernando Haddad como um quadro qualificado para futuras eleições em São Paulo.
A entrevista evidencia que, para Camilo, ampliar alianças é menos uma escolha opcional e mais uma estratégia considerada necessária diante de um país dividido — onde, ao que tudo indica, cada peça no tabuleiro político pode fazer diferença.