Ciro Nogueira descarta Tarcísio na disputa presidencial e PP passa a focar em Flávio Bolsonaro

Presidente do Progressistas avalia cenário eleitoral e indica que governador de São Paulo deve priorizar a reeleição
Redação

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, afirmou que considera descartada a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência da República neste ano. Segundo ele, o partido passa a concentrar suas expectativas na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já recebeu a indicação formal do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Foto: Reprodução | Pedro França/Agência Senado / Estadão
Ciro Nogueira, senador

“Eu vejo como já descartada a candidatura do Tarcísio à Presidência”, declarou Ciro, ao avaliar também como irreversível a entrada de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

Na semana passada, o PP divulgou uma nota pública com críticas à condução política de Tarcísio em São Paulo e informou que avalia a possibilidade de lançar candidatura própria ao governo estadual. O documento, elaborado pelo presidente do diretório paulista do partido, deputado Maurício Neves, com aval de Ciro Nogueira, citou insatisfação de prefeitos da sigla, além de queixas sobre a falta de diálogo do governador com parlamentares.

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A nota também apontou uma suposta falta de apoio de Tarcísio ao então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP-SP), que deixou o cargo em dezembro para se preparar para disputar o Senado. Segundo o texto, o partido considera insuficiente o apoio público do governador ao projeto majoritário de Derrite.

Apesar das críticas, Ciro Nogueira afirmou que prefere manter Tarcísio como candidato à reeleição em São Paulo, avaliando que essa seria a melhor alternativa para fortalecer a campanha de Derrite. Ainda assim, reconheceu que há um descontentamento interno e que o PP busca maior espaço político em um eventual novo governo estadual.

No início de dezembro, após Flávio Bolsonaro anunciar sua candidatura, Ciro chegou a defender nomes alternativos, como o de Tarcísio. Agora, porém, avalia que o governador só poderia avançar para uma disputa presidencial com o aval direto de Jair Bolsonaro — hipótese que considera improvável. Além disso, Tarcísio tem reforçado ações e discursos voltados claramente à reeleição no governo paulista.

Atualmente em férias nos Estados Unidos, Tarcísio retorna ao Brasil na próxima semana. Ele já estava fora do país quando o PP divulgou a carta crítica. No dia 8 de dezembro, o governador declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, três dias após o senador anunciar que havia sido escolhido pelo pai. Embora o gesto tenha sido público, aliados bolsonaristas avaliaram, nos bastidores, que o apoio ocorreu sem grande entusiasmo.

Mesmo assim, interlocutores próximos ao governador reconhecem que ele não tem atuado para tentar demover Flávio da disputa. Aliados de Tarcísio, inclusive dentro do PL paulista, ainda alimentam a expectativa de que o senador possa desistir da candidatura, abrindo espaço para o governador no cenário nacional.

A nota do PP gerou ruído interno na federação formada com o União Brasil. Um auxiliar próximo de Tarcísio minimizou o episódio, lembrando que, em São Paulo, o comando da federação está sob responsabilidade do União. O presidente do diretório paulista do partido, Milton Leite, afirmou que a hipótese de rompimento não foi discutida e garantiu que a federação seguirá apoiando o governador.

Apesar de citado na carta do PP, Guilherme Derrite reiterou seu apoio a Tarcísio. Em nota, afirmou respeitar as decisões partidárias, mas classificou o debate como especulação e reforçou sua lealdade ao projeto do governador.

Nesta terça-feira (6), em entrevista ao influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, Flávio Bolsonaro disse manter boa relação com Ciro Nogueira e afirmou acreditar que o PP acabará integrando seu palanque. O senador também destacou a importância estratégica de São Paulo e afirmou que a direita não pretende disputar o governo estadual sem Tarcísio candidato à reeleição, classificando o governador como favorito no estado.

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