Eduardo Bolsonaro Descobre a Diplomacia Mágica™ e Ensina o Brasil a Ignorar Fatos

Em mais um capítulo da saga “Eduardo Explica o Mundo com Base em Teorias Próprias”
Gustavo Henrique ou Gustavo pela Cidade

Em mais um capítulo da saga “Eduardo Explica o Mundo com Base em Teorias Próprias”, o deputado federal resolveu comentar a decisão dos Estados Unidos de reduzir parcialmente o tarifaço imposto ao Brasil. E, como sempre, fez isso com aquela segurança de quem nunca deixa a realidade atrapalhar uma boa narrativa.

Foto: Reprodução | Brenno Carvalho
Eduardo Bolsonaro, deputado federal que vive um auto exílio em torno de sua realidade paralela

Segundo Eduardo, a medida anunciada pela Casa Branca não teria nada a ver com diplomacia brasileira — apesar de ter sido fundamentada justamente em “progresso inicial” após conversas bilaterais entre Trump e Lula. Mas, para ele e seus seguidores, claro, diálogo entre governos é detalhe irrelevante. O que importa é o roteiro: tudo acontece por causa de pressões internas nos EUA e, claro, graças ao ministro Alexandre de Moraes, que aparentemente — segundo essa turma — tem poderes divinos de influenciar tarifas, eleições e agora até a inflação americana.

Eduardo afirma que Trump reduziu tarifas por causa de “inflação americana”, de pressões do movimento MAGA e do Senado dos EUA. Ou seja, todo mundo tem mérito — menos o Itamaraty, que foi justamente quem conduziu a negociação. É quase uma versão diplomática de “o cachorro comeu meu dever de casa”, só que adaptada para geopolítica.

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Quando o fato não ajuda, a narrativa ajuda — e muito

A Casa Branca zerou a tarifa adicional de 40% sobre produtos como carne bovina, cacau, café, frutas, vegetais e fertilizantes brasileiros — medida que, segundo o documento oficial, decorre do diálogo entre Trump e Lula. Mas Eduardo e sua militância preferem acreditar que isso foi fruto de um alinhamento cósmico entre inflação, senadores americanos e, por alguma razão que só eles entendem, Alexandre de Moraes.

A parte irônica?

  • Trump havia criado o tarifaço para pressionar o Brasil por causa do julgamento de Bolsonaro.
  • Agora Trump tira parte do tarifaço após conversar com Lula.
  • E Eduardo conclui que… não é mérito da diplomacia brasileira.

É quase poético — se poesia aceitasse contradições de tamanho continental.

O suspense continua!

Eduardo ainda promete que esse é só “um dos muitos capítulos” envolvendo a política nacional e os Estados Unidos. Provavelmente ele está preparando a próxima temporada da série, na qual tarifas, inflação, Moraes e MAGA entram em um multiverso jurídico-econômico onde causa e efeito funcionam por assinatura.

Enquanto isso, setores exportadores comemoram o alívio parcial, mas aguardam o restante da revisão tarifária. Este, sim, é trabalho para diplomacia real — aquela feita com reuniões, documentos e negociações, e não com vídeos gravados para seguidores ávidos por thrillers políticos alternativos.

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