Entre fumacinhas e indefinições, Caiado aposta em Kassab para decidir rumo do PSD

Governadores falam em alianças amplas enquanto atacam Lula e aguardam sinal verde do partido
Redação

Recém-chegado ao PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, estreou no novo partido nesta quarta-feira (28) já em clima de expectativa — e de espera. Ao lado de Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), Caiado afirmou que a sigla buscará alianças com partidos de centro-direita para as eleições de 2026, mas deixou claro que a decisão sobre quem comandará a chapa ficará, convenientemente, nas mãos do presidente da legenda, Gilberto Kassab.

Foto: Eduardo Knapp
Os governadores Eduardo Leite (PSD), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Ratinho Jr. (PSD) em selfie no auditório do hotel Grand Hyatt, em São Paulo, durante evento de bancos de investimento UBS

O trio participou de um evento promovido pelo banco de investimentos UBS, em um hotel da zona sul de São Paulo, palco escolhido para discursos afinados contra o governo Lula (PT) e poucas definições práticas sobre o futuro do PSD. Caiado, que anunciou sua saída do União Brasil e filiação ao partido na noite anterior, classificou-se como “calouro” e reforçou que há tempo de sobra para resolver tudo — pelo menos até julho de 2026.

Segundo ele, o partido pretende dialogar com MDB, Republicanos e PP, enquanto Kassab avalia, com calma, quem será o “ungido” da vez. A decisão, ironizou Caiado, virá quando o presidente da sigla “soltar a fumacinha branca”, em referência ao ritual do conclave que elege o papa.

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“Vamos buscar todos os partidos. O MDB, o Republicanos, o PP. Temos prazo e espaço até as convenções”, afirmou o governador, destacando que sua saída do União Brasil teria ocorrido de forma tranquila — ao menos segundo sua própria versão.

O evento também contou com a presença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Já Tarcísio de Freitas (Republicanos), cujo nome perdeu força no campo bolsonarista após Jair Bolsonaro indicar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como possível candidato, não compareceu.

Apesar do discurso de unidade, o encontro teve como ponto comum menos a construção de um projeto e mais a concentração de críticas ao presidente Lula. Questionado sobre antigas divergências com Kassab — a quem já chamou de “cafetão do Planalto” em 2015 — Caiado preferiu mudar o foco e mirar novamente no governo federal.

“O problema do Brasil hoje não é só ganhar a eleição, é saber governar diante do colapso de governabilidade instalado pelo Lula”, disse, afirmando ainda que promessas históricas do petista, como o combate à fome, poderiam ser resolvidas “em dois anos” por qualquer um dos presentes.

Caiado também confirmou ter conversado com o senador Flávio Bolsonaro sobre a estratégia eleitoral da centro-direita, defendendo múltiplas candidaturas no primeiro turno como forma de enfraquecer Lula. Para ele, uma candidatura única seria exatamente o que o atual presidente desejaria.

As críticas ao governo federal renderam os aplausos mais entusiasmados do público. Zema reforçou o discurso ao afirmar que apoiará qualquer nome do PSD — ou Flávio Bolsonaro — em um eventual segundo turno contra o PT, defendendo cortes de gastos e criticando a política fiscal do governo.

Enquanto isso, o PSD segue oficialmente no modo expectativa. Kassab, que também é secretário no governo de Tarcísio em São Paulo, já indicou que o partido deve ter candidatura própria caso Flávio Bolsonaro mantenha seu nome na disputa. Até lá, entre discursos duros, alianças em aberto e metáforas religiosas, a definição segue no ar — à espera da famosa fumacinha branca.

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