Entre ideologia e orçamento, prefeitos sabem fazer conta
Deputado diz que, na prática, recursos falam mais alto que disputas partidárias no Piauí
RedaçãoEm entrevista a um veículo regional nesta terça-feira (23), o deputado estadual Gustavo Neiva (PP) afirmou o que, segundo ele, já é de conhecimento geral nos bastidores da política: quando o assunto é recurso para os municípios, prefeitos de qualquer partido não costumam fazer muita cerimônia.
De acordo com Neiva, gestores piauienses — sejam do PP, do PT ou de qualquer outra sigla — não devem abrir mão das emendas parlamentares do senador Ciro Nogueira (PP). “Não tenho dúvida nenhuma de que, se qualquer prefeito tiver que escolher entre a fidelidade partidária e receber recursos do senador Ciro Nogueira, todos vão optar pelos recursos”, disse, numa leitura bastante pragmática da política municipal.
A declaração surge como reação à decisão do deputado Fábio Novo, presidente do diretório estadual do PT, que anunciou a suspensão da filiação do prefeito de Cajueiro da Praia, Felipe Ribeiro, além de punições a outros gestores petistas que declararam apoio à reeleição de Ciro Nogueira.
Sem entrar diretamente no mérito da decisão interna do PT, Neiva sugeriu que o movimento pode gerar efeitos colaterais. Ao mencionar o caso do prefeito suspenso, o parlamentar progressista levantou a possibilidade de que outros gestores sigam o mesmo caminho — afinal, segundo ele, as necessidades dos municípios não costumam esperar por resoluções partidárias.
“Emparedar prefeitos para que não recebam recursos de um senador que sempre ajudou os municípios é algo que dificilmente prospera. Eles sabem da realidade das cidades e da importância desses recursos”, afirmou, em tom de solidariedade aos gestores.
Por fim, Neiva negou qualquer tipo de barganha política envolvendo as emendas e destacou que o apoio eleitoral a Ciro Nogueira seria resultado do trabalho realizado. “Todos os 224 municípios recebem recursos do senador. Isso significa que todos os 224 prefeitos vão votar nele? Não”, concluiu, deixando claro que, ao menos oficialmente, orçamento não é sinônimo automático de voto — ainda que ajude bastante.