Justiça Eleitoral cassa mandato da prefeita de Piripiri por abuso de poder político e uso indevido da máquina pública
A coligação “União, Amor e Trabalho por Piripiri” moveu a AIJE e o juiz achou provas de que houve "culto" a própria imagem
RedaçãoA Justiça Eleitoral da 11ª Zona de Piripiri decidiu que, surpresa nenhuma, a prefeita reeleita Jôve Oliveira e seu vice Hilton Osório foram longe demais na criatividade. A coligação “União, Amor e Trabalho por Piripiri” moveu a AIJE e o juiz achou provas de que a dupla decidiu transformar a prefeitura em agência de publicidade da própria imagem.
A sentença, ainda de primeira instância, permite recurso ao TRE-PI. A assessoria jurídica da prefeita declarou que, veja só, ficou “surpresa”. Quem diria. Juraram que vão recorrer, como se isso anulasse toda a parafernália já escancarada.
Segundo a decisão, documentos, perícia da Polícia Federal e pareceres do Ministério Público Eleitoral mostram que a gestão municipal usou contratos de rádio e TV para transformar a imagem da prefeita em atração fixa, especialmente perto das eleições. Nada como aproveitar o momento, né.
O juiz destacou que Jôve e companhia surfaram numa “arquitetura de comunicação” bancada com dinheiro público. Um investimento emocional e financeiro para garantir que a população nunca esquecesse quem era a estrela principal da prefeitura.
Contratos e personalização do conteúdo
A prefeitura torrava cerca de R$ 645 mil por ano em múltiplos veículos de comunicação. A programação, ao invés de informar, parecia um grande festival “Jôve em Todas as Telas”. Eram entrevistas, quadros fixos, reportagens e toda uma estética de fanfarra institucional.
Um dos destaques foi o quadro diário “Café com a Prefeita”. Todo dia, um cafezinho radiofônico para reforçar que qualquer obra, até tampa de bueiro, vinha direto das mãos milagrosas da gestora. Mesmo sem contrato da rádio com a prefeitura, o conteúdo virou prova do culto à personalidade.
Expressões como “eu construí”, “nós conseguimos trazer” e “estamos fazendo” eram repetidas como bordão. Até secretários municipais participavam do coral, reforçando a ideia de que o município inteiro era praticamente um projeto artístico da prefeita.
Perícia da PF confirma autenticidade
A defesa tentou alegar manipulação de áudios e vídeos, mas a perícia técnica largou a real: nada editado, nada adulterado. As gravações eram tão autênticas quanto o entusiasmo da prefeita em se promover.
Pareceres do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público de Contas também já haviam apontado que a publicidade institucional estava mais para propaganda pessoal.
Argumentos da defesa rejeitados
A prefeita alegou que só falava de atos de gestão, sem referência eleitoral. O magistrado, contudo, lembrou o básico: publicidade pública não é para virar diário de autopromoção. Não precisa pedir voto para extrapolar limites, basta inundar a população com conteúdo exaltando a autoridade da vez.
Como registrou o juiz, a mensagem deixou de ser “o Município entregou” e virou “a Prefeita entregou”. A diferença é sutil só para quem finge não ver.
No fim, ficou claro que a prática foi grave o suficiente para bagunçar a paridade na disputa. O Ministério Público Eleitoral já havia apontado o desequilíbrio, e o juiz concordou.