MDB rompe fusão com PSD e decide lançar chapa própria no Piauí
Divergência expõe disputa na base e pode mexer na composição da chapa majoritária governista
A política do Piauí ganhou um novo capítulo nesta quinta feira após o rompimento da chamada fusão cruzada entre Movimento Democrático Brasileiro e Partido Social Democrático. A decisão foi confirmada por deputados durante movimentações na Assembleia Legislativa do Piauí e muda o cenário da disputa proporcional para as eleições de 2026.
Com o fim do acordo, o MDB decidiu seguir caminho próprio e lançar chapa pura tanto para deputado estadual quanto para deputado federal. A decisão, segundo lideranças do partido, busca preservar espaço político e evitar uma concorrência interna considerada pouco equilibrada.
Nos bastidores, o motivo do desgaste seria o comportamento expansivo do deputado Georgiano Neto, do PSD, que tem ampliado sua presença no chamado mercado eleitoral da base governista. Na linguagem mais direta dos corredores políticos, alguns aliados classificam a movimentação como excesso de apetite político, algo que acabou azedando de vez o acordo.
Enquanto isso, o Movimento Democrático Brasileiro reforça seu grupo com lideranças influentes no estado, entre elas o vice governador Themístocles Filho e o presidente da Assembleia Legislativa, Severo Eulálio, além de outras figuras tradicionais da sigla.
Reflexos na chapa majoritária
O rompimento também pode provocar reflexos na montagem da chapa majoritária liderada pelo governador Rafael Fonteles, que trabalha para consolidar sua base política para o próximo pleito.
Nos bastidores, a composição defendida pelo governador mantém como candidato a vice o ex-secretário estadual de Educação Washington Bandeira.
Para o Senado, a ideia segue sendo uma dobradinha com o atual senador Marcelo Castro, do MDB, que tentará a reeleição, ao lado do deputado federal Júlio César, do PSD.
A divergência entre as siglas, no entanto, pode respingar justamente nessa disputa pela vaga ao Senado, já que a reorganização das chapas proporcionais costuma influenciar diretamente o equilíbrio político da coligação.
Bastidores silenciosos
Nos bastidores, há informações de que o governador Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias teriam discutido a base da chapa majoritária em uma reunião reservada no último fim de semana. Apesar das especulações, Wellington Dias não se pronunciou publicamente para confirmar ou negar os detalhes do encontro.
Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores mantém postura discreta e segue dialogando com os 11 partidos que integram o bloco governista.
No fim das contas, a política estadual segue oferecendo aquele velho roteiro conhecido. De um lado, o MDB reorganiza suas fileiras e aposta em força própria. Do outro, o PSD descobre que avançar demais no território alheio às vezes pode custar alianças importantes. E como sempre, a novela eleitoral ainda promete muitos capítulos pela frente.