Presidenciáveis do PSD arriscam perder seus estados para a direita
Leite e Ratinho enfrentam impasses regionais enquanto Caiado opera com mais folga
RedaçãoTrês nomes do Partido Social Democrático ensaiam protagonismo nacional, mas enfrentam desafios domésticos que podem custar caro nos próprios estados. Eduardo Leite no Rio Grande do Sul e Ratinho Júnior no Paraná lidam com a pressão do bolsonarismo e dificuldades para consolidar sucessores. Já Ronaldo Caiado, em Goiás, aparece em cenário mais estável, embora ainda negocie alianças.
Em Goiás, o vice governador Daniel Vilela do MDB lidera levantamentos e enfrenta como principal adversário o ex governador Marconi Perillo do PSDB. A possível aliança com o PL segue indefinida e envolve também o desenho do palanque do senador Flávio Bolsonaro no estado. Apesar das conversas prolongadas, Caiado mantém margem confortável em comparação aos colegas de partido.
No Paraná, Ratinho Júnior divide seu grupo entre três nomes do PSD para a sucessão: Guto Silva, Alexandre Curi e Rafael Greca. A definição pode provocar fissuras internas, com Republicanos e PP atentos a eventuais insatisfações. O prazo de filiação partidária se aproxima e amplia a pressão. O cenário se complica com a possibilidade de rompimento do acordo com o PL caso Ratinho avance nacionalmente em rota que colida com interesses bolsonaristas. Nesse contexto, o senador Sergio Moro surge como alternativa competitiva, ainda que enfrente limitações estruturais.
No Rio Grande do Sul, Eduardo Leite enfrenta o quadro mais delicado. A eventual renúncia para disputar a Presidência abriria espaço para o vice Gabriel Souza do MDB tentar consolidar candidatura ao governo. No entanto, pesquisas indicam desempenho inferior aos principais nomes da direita e da esquerda. O deputado Luciano Zucco do PL lidera levantamentos, enquanto o campo progressista articula alianças envolvendo Edegar Preto do PT e Juliana Brizola do PDT.
Leite argumenta que a eleição nacional concentra as atenções e que o histórico de entregas no estado poderá fortalecer seu grupo no momento oportuno. Ele próprio enfrentou cenário apertado em 2022, quando venceu no segundo turno após disputa acirrada.
No plano nacional, a ambição presidencial amplia o cálculo político. Enquanto buscam projeção além das fronteiras estaduais, os governadores precisam evitar que a tentativa de voos mais altos deixe a própria base vulnerável. Em política, subir de patamar pode ser estratégico, desde que não se descuide do chão que sustenta o projeto.