PT adia consenso e mantém impasse sobre vice; nova reunião será antes do Carnaval
Wellington descarta filho na chapa, Rafael insiste em Washington Bandeira e partido busca acordo em fevereiro
RedaçãoA reunião entre o governador Rafael Fonteles, o ministro Wellington Dias e parlamentares do PT terminou sem acordo e evidenciou o impasse interno sobre a formação da chapa para 2026. O encontro, que se estendeu até por volta das 23h, foi marcado por tensão e posições firmes dos dois principais líderes do partido no Piauí.
Wellington Dias afirmou que seu filho, o médico Vinícius Dias, não será candidato a vice-governador. Segundo o ministro, outros nomes ainda precisam ser avaliados, entre eles o do ex-secretário de Educação Washington Bandeira. Rafael Fonteles, por sua vez, reiterou que não abre mão de Bandeira como vice.
O pano de fundo da disputa é estratégico. Caso o presidente Lula seja reeleito, Rafael Fonteles é cotado para integrar o governo federal, o que abriria espaço para o vice assumir o Palácio de Karnak já em 2027. Essa possibilidade aumenta o peso político da escolha e explica a dificuldade de consenso.
Wellington deve divulgar uma nota pública na terça-feira reafirmando que não pretende indicar o filho e defendendo a unidade partidária. Já o presidente estadual do PT, Fábio Novo, ficou encarregado de encaminhar uma nova rodada de conversas, com reunião prevista para antes do Carnaval, que começa em 14 de fevereiro.
Apesar do discurso de diálogo, o clima segue tenso. Para Wellington, uma “terceira via” poderia destravar o acordo; Rafael mantém posição irredutível. Ambos descartaram a realização de prévias internas, apostando no consenso ainda em fevereiro.
Entre deputados e alguns presentes, a frustração foi evidente. A avaliação é que a indefinição prejudica a estratégia eleitoral do PT, que mira eleger 15 deputados estaduais e oito federais pela base aliada.
Um ponto de convergência, no entanto, apareceu: Wellington e Rafael afirmaram que Lula incumbiu a base de garantir a eleição dos dois senadores no Piauí. Isso fortalece as pré-candidaturas de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), indicando que, ao menos no Senado, o alinhamento está mais próximo do acordo.