Vice de Nunes dispara contra Tarcísio, Nunes e Derrite — e sobra até para a própria gestão
Coronel Mello Araújo, cotado para 2026, acusa aliados de “grande enganação” tentando assumir sozinho o crédito pela cracolândia
RedaçãoO vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), resolveu mirar para todos os lados — inclusive para o próprio governo do qual faz parte — ao acusar o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes e até o secretário Derrite de tentarem faturar politicamente com a cracolândia. Cotado por Jair Bolsonaro para disputar o Senado em 2026, Mello parece determinado a inaugurar uma nova modalidade de disputa: a de quem bate mais nos próprios aliados enquanto reivindica méritos exclusivos.
Em entrevista à meio de comunicação nacional, o coronel classificou como “grande enganação” a declaração de Tarcísio sobre a desocupação da favela do Moinho ter sido o “golpe fatal” contra o fluxo. Segundo ele, o governador “não conhece” o assunto — ainda que Tarcísio tente destacar dados, operações e até investigações de segurança pública para mostrar trabalho. Nunes também virou alvo: Mello acusa a prefeitura de ter permitido desvio de recursos destinados a dependentes químicos antes de sua chegada ao cargo.
Enquanto a prefeitura e o governo estadual falam em trabalho conjunto, Mello se coloca como protagonista absoluto da redução da concentração de usuários, afirmando que decisões como o fim da distribuição de marmitas e o “olhar rigoroso” sobre entidades contratadas fariam parte de seu plano pessoal de reestruturação. O discurso tem rendido estranhamento: afinal, o próprio coronel está no posto há apenas 11 meses, enquanto Nunes e Tarcísio administram a questão desde 2021 e 2023.
As gestões municipal e estadual reagiram lembrando que várias ações começaram antes mesmo de Mello assumir, como o SIAT, o Hub de cuidados em crack e outras drogas e a abertura de um Caps específico para atender o fluxo — além da prisão de Leo do Moinho, apontado como chefe do tráfico local, realizada meses antes de o coronel pisar na prefeitura. Dados oficiais mostram ainda aumento de atendimentos, redução de crimes e ampliação de equipes multidisciplinares no território.
Mello, porém, insiste que seu papel foi decisivo. Acusa contratos, insinua interesses escusos, aponta médicos que não existiriam e narra episódios que, segundo prefeitura e governo, já estão sob investigação ou foram esclarecidos. A divergência sobre quem merece o crédito pela redução da concentração de usuários virou uma disputa pública — com Mello atacando todos, e todos continuando a trabalhar apesar dos ataques.
No fim, o coronel reforça que só Bolsonaro decidirá seu destino político. O que já ficou claro é que, para 2026, Mello Araújo escolheu um caminho bem peculiar: reivindicar êxitos, acusar parceiros e chamar de “enganação” as ações que não levam seu nome — tudo sob a bandeira de combater a cracolândia que, segundo Tarcísio, “já acabou”, mas segundo o próprio Mello, ainda rende muitos capítulos.