Prefeitura descobre o próprio descontrole após cruzeiro desaparecer em Parnaíba

Exoneração vira cortina de fumaça para falhas internas e falta de comando na gestão municipal
Redação

A exoneração do superintendente de Turismo de Parnaíba, Valdecir Galvão, após a retirada indevida de um cruzeiro histórico na praia da Pedra do Sal, acabou revelando mais do que um erro administrativo: expôs o grau de desorganização e a fragilidade da gestão municipal. O símbolo religioso e cultural, fincado em uma pedra desde a década de 1970, simplesmente foi removido — sem autorização formal do prefeito Francisco Emanuel Brito e, ao que tudo indica, sem que ninguém no comando percebesse a tempo.

Foto: Reprodução de redes sociais
O cruzeiro, fincado em uma pedra desde a década de 1970, é reconhecido como símbolo religioso e cultural da comunidade local

A reação popular foi imediata, mas a resposta da Prefeitura veio no velho roteiro conhecido: afastar o servidor e tratar o episódio como um ato isolado. A versão oficial tenta concentrar a responsabilidade em Valdecir Galvão, ignorando o fato de que uma intervenção desse porte dificilmente ocorre sem a completa ausência de controle, supervisão e comunicação interna entre secretarias e o gabinete do prefeito.

Foto: PMP
Exoneração de Valdecir Galvão

A justificativa apresentada pelo ex-superintendente — de que teria seguido uma suposta orientação da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) — só reforça o cenário de improviso administrativo. Afinal, em uma gestão minimamente organizada, decisões envolvendo patrimônio histórico e símbolos culturais passariam por protocolos claros, pareceres técnicos e autorização expressa do Executivo. Em Parnaíba, aparentemente, basta “achar” que pode.

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Em nota, o prefeito classificou a atitude como “reprovável” e afirmou não tolerar decisões sem diálogo ou autorização. A declaração, porém, levanta uma ironia inevitável: se o diálogo é a base da gestão, como o próprio prefeito só tomou conhecimento do caso depois da revolta popular e da repercussão negativa?

Anunciada como medida corretiva, a exoneração soa mais como tentativa de isolar o problema em um único nome, evitando um debate mais incômodo sobre falhas institucionais, desorganização administrativa e ausência de planejamento. O episódio mostra uma Prefeitura que não previne erros, apenas corre atrás do prejuízo quando a crise já está instalada.

Ao prometer “reparar o erro”, a gestão admite implicitamente que a falha foi maior do que individual. O caso do cruzeiro escancara uma administração que parece funcionar no improviso, onde símbolos históricos desaparecem sem aviso — e o comando só aparece quando o desgaste político já está feito.

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