Sílvio Mendes doa terreno para empresário investigado por esquema com PCC — porque, claro, generosidade é tudo
O decreto da doação, devidamente estampado na página 9 do Diário Oficial de 10 de setembro de 2025
RedaçãoPasmem: Teresina deve ser mesmo a cidade da prosperidade infinita, porque o prefeito Sílvio Mendes resolveu presentear com um belo lote no Polo Empresarial Sul ninguém menos que Haran Santhiago Girão Sampaio — o ex-dono dos postos HD e, detalhe pequeno, alvo da Operação Carbono Oculto 86, aquela que investiga a infiltração do PCC no mercado de combustíveis do Piauí. Um detalhe insignificante, imagino, para alguém que recebe mimos oficiais.
O decreto da doação, devidamente estampado na página 9 do Diário Oficial de 10 de setembro de 2025, mostra que a Prefeitura de Teresina — ou melhor, Sílvio Mendes em pessoa — decidiu que a empresa Arla Natural LTDA, representada por Haran, merecia um terreno de 4.281,24 m². Afinal, por que não premiar alguém que está no radar da polícia, não é? Meritocracia à moda da casa.
O terreno, completíssimo, vem com frente, fundo, laterais, perímetro e, aparentemente, um embrulho simbólico escrito “com carinho da Prefeitura”. Nada mais justo na atual fase de urbanismo filantrópico da gestão.
Agora, cereja do bolo: Haran não é só um empresário investigado — é também amigo próximo de Victor Linhares, ex-assessor de Ciro Nogueira e ex-secretário de Articulação Institucional da própria Prefeitura. Victor foi exonerado por Sílvio Mendes bem ali, coladinho à operação policial, o que levantou aquela dúvida inocente da polícia sobre possível vazamento prévio. Mas deve ser apenas coincidência, claro. Teresina é cheia delas.
Coincidência também o fato de Haran e seu sócio, Danillo Coelho, terem deixado a cidade dias antes da deflagração da operação — com cada um sendo abordado em aeroportos diferentes. Só uma viagem casual, nada planejado. Quem nunca?
Ah, e não podemos esquecer o círculo social glamouroso: vídeos divulgados mostram Haran, Victor e Danillo em viagens internacionais, rindo, dançando e brincando dentro de um jato particular, como se fossem protagonistas de uma versão piauiense de La Casa de Papel, só que sem o charme, só a ostentação.
Sim, caro leitor: em Teresina, terreno público pode virar souvenir premium para gente de “alto quilate” — inclusive quando esse quilate está sob investigação estadual e federal. Mas é tudo pela cidade, dizem.