Conselho de Veterinária alerta para avanço da esporotricose e riscos à saúde de gatos e humanos
Doença causada por fungo tem alta incidência no Brasil, afeta principalmente felinos e pode ser transmitida às pessoas
O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo emitiu um alerta sobre o aumento dos casos de esporotricose animal, doença infecciosa que atinge principalmente os gatos e representa risco também para a saúde humana. A enfermidade tem sido registrada em todas as regiões do país, com maior incidência nos estados do Sul e Sudeste, onde o número de notificações vem crescendo de forma preocupante.
A esporotricose é causada por fungos do gênero Sporothrix, encontrados no solo, em plantas e em matéria orgânica em decomposição. Nos gatos, a doença costuma se manifestar de forma mais agressiva, já que o fungo é bem adaptado à temperatura corporal da espécie, fator considerado essencial para a cadeia de transmissão.
Segundo o conselho, os felinos infectados podem apresentar feridas na pele, especialmente na cabeça, patas e cauda, que evoluem para lesões abertas e ulceradas. Essas lesões concentram grande quantidade do fungo, facilitando a transmissão por arranhões, mordidas ou pelo contato direto com secreções.
Além de afetar animais domésticos e silvestres, a esporotricose é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida aos seres humanos. Estimativas apontam cerca de mil casos por ano em pessoas no Brasil, geralmente associadas ao contato com gatos doentes sem os devidos cuidados de proteção.
O Conselho de Veterinária destaca que a doença já representa um impacto significativo na saúde pública e na saúde animal, exigindo atenção redobrada de tutores, profissionais da área e autoridades sanitárias. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar o agravamento dos casos e a disseminação do fungo.
Entre as principais recomendações estão manter os gatos dentro de casa, evitar o contato com animais doentes ou feridos, usar luvas ao manusear felinos com suspeita da doença e procurar imediatamente atendimento veterinário ao surgirem lesões suspeitas. Em casos confirmados, o tratamento deve ser seguido rigorosamente, conforme orientação profissional, e o animal não deve ser abandonado.
O alerta reforça ainda a importância da informação e da responsabilidade coletiva no enfrentamento da esporotricose, que exige ações integradas de prevenção, controle e cuidado tanto com os animais quanto com a população.