Teresina reforça proteção dos bebês com anticorpo contra bronquiolite e amplia acesso no SUS

Capital convoca famílias para garantir nirsevimabe e reforçar defesa infantil contra vírus respiratório
Redação

Enquanto o vírus sincicial respiratório tenta fazer sua temporada anual de visitas nada educadas, Teresina resolveu agir antes que ele bata à porta com força. A capital ampliou a oferta do anticorpo monoclonal nirsevimabe, indicado para prevenir infecções respiratórias graves como a bronquiolite em bebês e crianças.

A estratégia agora inclui um verdadeiro resgate preventivo de pequenos que nasceram prematuros até 36 semanas e seis dias de gestação e que tenham menos de seis meses no momento da aplicação. Também entram no grupo bebês com menos de 24 meses que possuem comorbidades específicas. Em outras palavras, a ciência chega primeiro para evitar que o vírus resolva aparecer como convidado indesejado.

Foto: FMS
Teresina amplia a oferta do anticorpo contra o vírus que causa bronquiolite

Para garantir o acesso, a Fundação Municipal de Saúde faz um chamamento aos pais e responsáveis de crianças que se enquadrem nesses critérios. O atendimento acontece no Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais, localizado no Hospital Infantil Lúcidio Portela.

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Segundo a coordenadora de vacinação da FMS, Emanuelle Dias, é necessário apresentar documentos pessoais da criança, cartão de vacina, prescrição médica e laudo que comprove a indicação do imunobiológico. A ideia é simples e bastante legalista garantir que o anticorpo chegue a quem realmente precisa.

Nos casos de bebês prematuros que ainda estão internados ou não receberam alta após o nascimento, a aplicação continua sendo realizada diretamente nas maternidades municipais do Dirceu, Promorar, Satélite e Buenos Aires, além do Hospital de Urgência de Teresina, Hospital do Parque Piauí, Hospital Infantil e Maternidade Evangelina Rosa.

Com a chegada do período em que o vírus costuma circular com mais intensidade, a medida tem um objetivo bastante claro evitar que hospitais e UTIs pediátricas fiquem sobrecarregados. Afinal, quando a prevenção funciona, a bronquiolite perde a festa.

Os números ajudam a explicar a preocupação. Em 2025 o Brasil registrou mais de 120 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave provocada por vírus respiratórios relevantes para a saúde pública. Desse total, quase 44 mil foram causados pelo vírus sincicial respiratório. Entre esses casos, mais de 36 mil hospitalizações ocorreram em crianças menores de dois anos.

A presidente da Fundação Municipal de Saúde, Leopoldina Cipriano, destacou que a incorporação do nirsevimabe representa um avanço importante na proteção da saúde infantil.

Diferente das vacinas tradicionais, que estimulam o corpo a produzir anticorpos, o nirsevimabe já entrega a defesa pronta. A aplicação é feita em dose única intramuscular, o que fortalece a proteção dos pequenos justamente no período em que o vírus costuma circular com mais intensidade.

Com isso, Teresina mostra que quando prevenção, ciência e SUS trabalham juntos, quem ganha a comemoração antecipada são as crianças e suas famílias. E o vírus, dessa vez, fica sem convite para a festa da saúde pública.

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