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Heliópolis Toca Alto: O Primeiro Teatro de Concerto em uma Favela Mostra que o Brasil Real Tem Palco, Luz e Plateia

Com apoio vibrante do MinC e da comunidade, a arte ganhou CEP na periferia — e o centro que lute para acompanhar.

Heliópolis fez história — e fez do seu jeito: barulhento, talentoso, resistente e cheio de brilho próprio. Nesta terça-feira (25), o Instituto Baccarelli inaugurou nada menos que a primeira sala de concertos do mundo instalada dentro de uma favela. Sim, do mundo. E se alguém ainda achava que grandes óperas só poderiam nascer entre tapetes persas e taças de cristal, precisa atualizar o software mental.

Foto: Prefeitura de São PauloHeliópolis ganha teatro para concertos musicais e 533 lugares
Heliópolis ganha teatro para concertos musicais e 533 lugares

O Teatro Baccarelli, com seus 1,3 mil metros quadrados e mais de 500 lugares, agora é a casa oficial da Orquestra Sinfônica de Heliópolis — orgulho nacional que dispensa apresentação. A obra só saiu do papel graças a R$ 35,3 milhões autorizados pelo Ministério da Cultura via Lei Rouanet, além de investimentos públicos e privados. Ao todo, desde 2022, o Instituto já mobilizou mais de R$ 72 milhões pela Rouanet. Tem quem critique, claro. Mas enquanto criticam, Heliópolis aplaude — de pé.

A ministra Margareth Menezes resumiu o milagre:

“Uma sala de concertos em Heliópolis é símbolo do Brasil que queremos: aquele em que a arte mora no centro e nas periferias.”

Já o secretário Henilton Menezes lembrou que a política cultural do governo federal deixa de ser promessa e vira realidade concreta:

“Estamos levando a Rouanet para onde ela nunca chegou. E Heliópolis é prova viva dessa virada.”

E emoção não faltou. O maestro e CEO do Instituto, Edilson Ventureli, quase transformou o discurso em partitura:

“Este teatro é feito de esperanças… um santuário onde crianças e jovens viverão experiências que mudam destinos.”

Durante a cerimônia, o coordenador do MinC em São Paulo, Alessandro Azevedo, explicou o que deveria ser óbvio, mas ainda precisa ser dito:

“Cultura é investimento. Em vez de tirar o morador da periferia para ver espetáculo no centro, trazemos o centro para a periferia.”

Ou seja: Heliópolis não foi convidada para a festa — ela virou anfitriã.

Uma história de resistência que virou sinfonia

O Instituto Baccarelli nasceu das cinzas de um incêndio em 1996. Começou com 36 crianças e instrumentos de corda. Hoje, atende mais de 1.600 jovens, mantém quatro grupos artísticos e formou músicos que tocam em orquestras no Brasil e no exterior. Além da música, oferece serviço social, atendimento a crianças com deficiência e até o Restaurante Baccarelli contra a insegurança alimentar. É cultura, educação, cuidado e dignidade — tudo no mesmo compasso.

E agora, com o teatro inaugurado, Heliópolis envia um recado afinado ao Brasil inteiro:
se a arte transforma vidas, então nada mais justo do que colocá-la onde ela mais pulsa — no coração da comunidade.

Aplausos, maestro. O palco é do povo.

Fonte: Revista40graus, colaboradores, Instituto Baccarelli e MinC

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