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Frota de ônibus encolhe em Teresina enquanto diesel vira a desculpa da vez

Strans confirma redução de 30 por cento e Procon investiga aumento suspeito no preço dos combustíveis
Redação

A população de Teresina voltou a enfrentar mais um capítulo da já conhecida novela do transporte público. Desta vez, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) confirmou a redução de 30 por cento da frota de ônibus que circula na capital. O motivo apresentado seria o aumento de quase 50 por cento no preço do óleo diesel.]

Foto: ReproducaoFim da greve de ônibus em Teresina: motoristas e cobradores aceitam reajuste de 6%
Frota reduzida de ônibus em Teresina

Segundo a Strans, a elevação do combustível estaria relacionada ao cenário internacional e à guerra no Oriente Médio, o que teria provocado dificuldades no fornecimento por parte das refinadoras às empresas que operam o sistema na cidade.

Na prática, porém, o resultado é mais um problema para quem depende diariamente do transporte coletivo. Menos ônibus nas ruas significam mais espera nas paradas e veículos ainda mais lotados, algo que já se tornou quase rotina para os passageiros.

Em nota, a superintendência afirmou que a situação pode gerar “ajustes momentâneos na frota em circulação”. A declaração veio após uma reunião realizada na quinta feira entre representantes da prefeitura e das empresas que operam o sistema. Ainda assim, não foi informado por quanto tempo a redução da frota deve continuar.

Curiosamente, poucos dias antes, na terça feira, a própria Strans havia negado que houvesse redução na quantidade de ônibus em circulação. Agora, a diminuição foi oficialmente confirmada.

Enquanto isso, cresce a pressão da população para que a situação seja analisada com mais rigor. Afinal, a explicação baseada apenas no aumento do combustível tem sido vista por muitos como uma justificativa conveniente para reduzir custos operacionais sem que o serviço oferecido à população melhore.

Procon investiga aumento suspeito nos combustíveis

Paralelamente ao problema no transporte público, o Procon do Piauí iniciou uma fiscalização em larga escala para investigar o aumento repentino no preço dos combustíveis.

Ao todo, nove distribuidoras e mais de cem postos foram fiscalizados no estado. As empresas foram notificadas e terão prazo de cinco dias para apresentar justificativas e documentos fiscais que expliquem o aumento nos valores.

Segundo o coordenador do Procon, Nivaldo Ribeiro, há indícios de elevação abusiva dos preços, o que levanta dúvidas sobre a real origem do problema que acabou afetando o transporte público.

De acordo com ele, as distribuidoras alegam impacto da guerra no exterior. No entanto, órgãos oficiais e a própria Petrobras afirmam que não houve autorização recente para aumento nos preços, o que torna a explicação ainda mais questionável.

A fiscalização busca justamente esclarecer essa diferença entre o discurso e a realidade nas bombas.

Caso sejam confirmadas irregularidades, postos e distribuidoras poderão ser multados. As penalidades variam entre R$ 800 e R$ 10 milhões, dependendo da gravidade da infração.

Preços subiram em poucos dias

O levantamento mais recente do Procon aponta que o preço médio da gasolina em Teresina chega a R$ 6,49, enquanto o diesel está em torno de R$ 6,98.

Durante a fiscalização, também foi identificado que, em apenas quinze dias, o custo médio de compra do combustível para os revendedores aumentou cerca de R$ 0,81 por litro.

Esse cenário reforça a suspeita de que os reajustes podem ter ocorrido sem justificativa clara, gerando impacto direto não apenas no transporte público, mas em toda a cadeia econômica.

O problema também não se limita ao Piauí. A elevação repentina dos combustíveis tem sido registrada em diferentes estados do país, o que levanta a discussão sobre possíveis práticas abusivas que acabam provocando uma inflação artificial no mercado.

Enquanto as investigações seguem, quem sente o efeito imediato é o passageiro de Teresina. Afinal, entre a justificativa do diesel caro, a redução da frota e a promessa de fiscalização, o ônibus que deveria passar continua demorando e, quando chega, geralmente já vem cheio.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

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