Nova taxa global de Trump acaba favorecendo o Brasil
Estudo aponta que tarifa uniforme reduz barreira média para produtos brasileirosO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu simplificar o que antes era um emaranhado de tarifas diferenciadas e acabou produzindo um efeito curioso. Ao substituir o chamado tarifaço por uma sobretaxa global de 15 por cento sobre a maioria dos produtos importados, o Brasil virou o maior beneficiado da mudança, segundo levantamento do Global Trade Alert.
A ironia é quase didática. O país que figurava entre os mais penalizados no modelo anterior passou a respirar com mais alívio no novo arranjo.
Queda expressiva na tarifa média
De acordo com o estudo, a tarifa média aplicada aos produtos brasileiros caiu 13,6 pontos percentuais. Antes da decisão judicial que derrubou o sistema anterior, os itens brasileiros enfrentavam uma alíquota média de 26,3 por cento para entrar no mercado americano. Agora, com a nova regra, a taxa média recua para 12,8 por cento.
A China também teve redução relevante, de 7,1 pontos percentuais, mas continua liderando o ranking das tarifas mais altas entre os principais parceiros comerciais dos EUA, com média de 29,7 por cento. A Índia aparece logo atrás no grupo dos beneficiados, com corte de 5,6 pontos percentuais.
A decisão da Suprema Corte
A mudança veio após a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar o modelo anterior, que permitia alíquotas diferenciadas e consideradas recíprocas. Diante da decisão, Trump recorreu à Seção 122 da Lei do Comércio de 1974, primeiro impondo uma taxa de 10 por cento e, em seguida, elevando o percentual para 15 por cento.
Pela nova fórmula, soma se a alíquota original de cada produto ao acréscimo global de 15 por cento. A medida tem validade de 150 dias e dependerá do Congresso americano para se tornar permanente.
Alguns setores seguem em regime próprio, como aço, alumínio, cobre, madeira e automóveis. Ao mesmo tempo, cerca de mil itens continuam isentos, entre eles produtos farmacêuticos e minerais considerados críticos.
Vencedores e perdedores
O efeito colateral da simplificação é que países que antes pagavam tarifas relativamente baixas agora enfrentam aumento. Reino Unido, Itália e Singapura estão entre os que registraram alta na tarifa média, justamente porque o novo acréscimo global supera o que era cobrado anteriormente.
Canadá e México, integrantes de acordo comercial com os EUA, também tiveram reduções, embora mais modestas. O Canadá, inclusive, passou a liderar entre os principais parceiros com a menor tarifa média de importação.
Brasil em posição estratégica
Com a nova configuração, o Brasil passa a enfrentar barreira média menor do que economias europeias como Alemanha, Itália e França, que terão taxas de ao menos 14,3 por cento para vender aos Estados Unidos.
O vice-presidente Geraldo Alckmin comemorou o cenário, destacando que, ao ser aplicada de forma uniforme, a alíquota de 15 por cento preserva a competitividade brasileira e, em alguns setores, resultou em isenção prática, como combustível, carne, café, celulose, suco de laranja e aeronaves.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou esperar tratamento igualitário nas relações comerciais com os EUA e evitou escalar o tom, defendendo diálogo para não transformar disputa tarifária em tensão geopolítica maior.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, a decisão da Suprema Corte impacta cerca de 21,6 bilhões de dólares em exportações brasileiras ao mercado americano.
No fim das contas, a tentativa de reorganizar o tabuleiro tarifário global acabou redesenhando vantagens competitivas. E, desta vez, o Brasil descobriu que nem toda tarifa é sinônimo de prejuízo. Às vezes, a matemática política também produz surpresas agradáveis.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
