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Ônibus some, discurso sobra: Semec “economiza” e pais ficam no prejuízo

Prefeitura corta transporte escolar em Teresina e empurra o problema para as famílias
Redação

Pais e responsáveis por alunos da Escola Municipal Bom Princípio, na zona sudeste de Teresina, começaram o ano letivo descobrindo que, além do material escolar, agora também precisam providenciar o transporte. A Secretaria Municipal de Educação (Semec) decidiu reduzir a frota de ônibus e, como mágica administrativa, parte dos estudantes simplesmente deixou de ter direito ao serviço.

Foto: ReproduçãoÔnibus escolar
Ônibus escolar

Segundo denúncias, apenas crianças que moram nas “extremidades” dos bairros Deus Quer e Recanto dos Pássaros serão atendidas. Quem mora no início ou no meio do bairro — detalhe aparentemente imperdoável — ficou fora da rota. O mesmo vale para alunos do Parque Poty e de outros conjuntos, que agora precisam contar com a boa vontade (e o bolso) dos pais.

Foto: ReproduçãoIsmael Silva e Sílvio Mendes
Ismael Silva e Sílvio Mendes

Em nota, a Semec explicou que em 2025 havia três ônibus, mas um deles foi considerado “irregular”, já que transportava alunos que moram a menos de 2,5 km da escola. Afinal, para a burocracia, 2,4 km podem ser perto demais quando o objetivo é cortar custos. A secretaria reforçou que fez visitas técnicas, medições, reuniões e cálculos, chegando à conclusão de que o problema não é a falta de ônibus, mas o excesso de alunos querendo estudar com transporte público.

A direção da escola comunicou oficialmente aos pais que apenas duas rotas serão mantidas, com paradas bem específicas. O recado foi direto: quem não se encaixar na régua da quilometragem deve levar e buscar os filhos “por conta própria”.

Pais e mães afirmam que a decisão compromete o acesso regular à escola e o direito à educação. “São pelo menos dez mães prejudicadas diretamente. Negar transporte escolar afeta o desenvolvimento das crianças”, relatam. Para a prefeitura, no entanto, o problema parece resolvido no papel.

Na longa explicação oficial, a Semec cita quatro pilares: respeito à lei, segurança, responsabilidade com o dinheiro público e isonomia. Já para as famílias, o pilar que ficou faltando atende pelo nome de bom senso. Enquanto isso, o discurso garante que o “desejo” é atender todos os 90 mil alunos da rede — desde que eles morem longe o suficiente, dentro do orçamento e sem reclamar.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

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