Estações de ônibus seguem abandonadas enquanto estudo sobre o futuro do sistema ainda é aguardado
Usuários convivem com insegurança e vandalismo; promessa de solução continua no papelAs estações de integração do transporte coletivo de Teresina, que nasceram como símbolo de modernização da mobilidade urbana, hoje retratam uma realidade bem diferente da planejada. O que deveria oferecer conforto, acessibilidade e segurança aos passageiros se transformou, em muitos pontos da cidade, em estruturas deterioradas, depredadas e abandonadas pelo poder público.
Vidros quebrados, portas inexistentes, fiação furtada, mato alto, lixo espalhado e ausência de vigilância fazem parte da rotina de quem depende diariamente do transporte coletivo. Em algumas estações, o cenário é de completo abandono, enquanto usuários aguardam os ônibus expostos ao sol, à chuva e à insegurança.
A vendedora Liliane Soares resume o sentimento de muitos passageiros ao afirmar que tudo o que havia nas estações foi levado pela ação de criminosos, diante da falta de proteção e fiscalização.
Outra usuária, Maria do Socorro, relata que a sensação é de vulnerabilidade permanente. Segundo ela, a ausência de guardas ou patrulhamento faz com que passageiros convivam diariamente com o medo, especialmente diante da ocupação desses espaços por pessoas em situação de rua e da falta de controle sobre quem circula pelos locais.
Além da insegurança, o abandono também é percebido pela quantidade de lixo acumulado nas estações, com restos de alimentos, garrafas, fraldas descartáveis e outros resíduos que demonstram a ausência de manutenção regular.
Quando foram entregues à população, as estruturas possuíam vidros temperados, portas automáticas e sistema de climatização. Hoje, em diversas delas, pouco restou da estrutura original. Em alguns pontos, nem mesmo o teto ou as proteções laterais resistiram ao tempo e à falta de conservação.
Ao todo, Teresina conta com 56 estações distribuídas pelos corredores exclusivos de ônibus e oito terminais de integração. Grande parte desse patrimônio público permanece subutilizada ou deteriorada, resultado de anos sem manutenção adequada e sem uma política efetiva para recuperação dos equipamentos.
Enquanto isso, a resposta oficial continua sendo um estudo
Questionada sobre a situação, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) informou que aguarda a conclusão de um estudo técnico que irá definir o futuro das estações e dos terminais de integração, servindo de base para uma nova política de mobilidade urbana.
O anúncio, entretanto, pouco ameniza a realidade enfrentada pelos usuários. Afinal, quem utiliza o transporte coletivo diariamente não espera por diagnósticos, mas por soluções concretas. O problema é conhecido, os equipamentos estão diante dos olhos de todos e os prejuízos à população são evidentes.
Enquanto o estudo segue em elaboração, passageiros continuam convivendo com estruturas degradadas, insegurança e abandono. A expectativa é que o levantamento resulte em ações efetivas, porque, para quem depende do transporte público, a mobilidade não pode permanecer estacionada à espera de mais um relatório. Afinal, estudos são importantes, mas a população espera que eles sejam acompanhados de providências — e não se tornem apenas mais um capítulo de uma espera que já dura tempo demais.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
