Licitação do lixo se arrasta e acende alerta do TCE em Teresina
Demora no edital preocupa tribunal enquanto cidade sente efeitos na limpezaO presidente do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, Kennedy Barros, fez um alerta claro sobre a condução da nova licitação dos serviços de limpeza pública de Teresina. O recado é técnico, mas a realidade nas ruas mostra que o problema já deixou de ser apenas burocrático.
A preocupação do tribunal surge em meio a mais um adiamento do edital, que já deveria ter sido publicado desde março, conforme anunciado pela própria gestão municipal. Enquanto isso, o processo segue em ritmo lento, apesar de ser tratado oficialmente como prioridade.
Na prática, o que a população vê é outra coisa. Mutirões de limpeza até acontecem, mas de forma pontual, quase como ações emergenciais, e não como parte de uma política contínua de manutenção urbana. Em uma capital do porte de Teresina, o básico ainda parece depender de esforço extra.
O contrato em discussão é robusto: cerca de R$ 1,4 bilhão ao longo de cinco anos, com previsão inicial de R$ 480 milhões nos dois primeiros anos. Mesmo com cifras expressivas e sucessivas reuniões técnicas envolvendo prefeitura, Procuradoria e equipes da ETURB, o edital segue sem ver a luz do dia.
Segundo Kennedy Barros, há diálogo constante entre o tribunal e a gestão municipal, com foco em garantir que o processo ocorra dentro da legalidade e sem comprometer a continuidade do serviço.
“Há empenho da municipalidade e acompanhamento técnico do tribunal para que tudo seja finalizado dentro da lei, evitando prejuízos à população”, destacou.
O ponto central, no entanto, é justamente esse: evitar a descontinuidade de um serviço essencial que já dá sinais de desgaste no cotidiano da cidade. Afinal, coleta de lixo e limpeza urbana não são detalhes administrativos, mas necessidades básicas que impactam diretamente a saúde pública e a qualidade de vida.
O TCE tem atuado de forma preventiva, acompanhando o processo ainda na fase de elaboração, tentando corrigir falhas antes que elas se tornem problemas maiores. Uma estratégia que, na teoria, evita prejuízos futuros. Na prática, porém, a demora prolongada levanta questionamentos inevitáveis.
Enquanto o processo caminha com cautela técnica, a cidade segue esperando por algo mais simples: regularidade, eficiência e respeito com o espaço urbano. Porque, no fim das contas, lixo acumulado não aguarda trâmite administrativo ele aparece, cresce e cobra resposta.
Fonte: Revista40graus, TCE-PI, mídias, redes sociais e colaboradores
