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Pesquisa revela dificuldade em reconhecer mulheres no poder no Brasil

Levantamento aponta desafios de confiança, representatividade e percepção social
Redação

Um levantamento recente revela um dado significativo sobre a percepção de liderança no Brasil: quatro em cada dez brasileiros não conseguem citar o nome de uma mulher em posição de poder, apesar de a grande maioria compreender o que significa exercer liderança.

Os dados fazem parte da pesquisa “Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras”, realizada pelo Estúdio Clarice, que ouviu 2.036 pessoas entre homens e mulheres em novembro de 2025.

Foto: Paula GiolitoLançamento da pesquisa 'Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras', realizada pelo Estúdio Clarice, no Rio de Janeiro
Lançamento da pesquisa 'Imaginário de Poder das Mulheres Brasileiras', realizada pelo Estúdio Clarice, no Rio de Janeiro

Entre os nomes mais lembrados estão a primeira-dama Janja Lula da Silva (10,1%), a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia (6,1%) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (4,8%).

Percepção de igualdade e realidade

A pesquisa também evidencia diferenças na percepção de igualdade de oportunidades. Enquanto 68% dos homens acreditam que há igualdade entre gêneros, apenas 53% das mulheres compartilham dessa visão. Além disso, 34% dos homens e 21% das mulheres consideram que o espaço feminino já está plenamente reconhecido na sociedade.

Barreiras enfrentadas

Entre os principais desafios apontados está a autoconfiança. Cerca de 30% das mulheres afirmam que duvidar da própria capacidade é um fator que contribui para a sensação de impotência.

Outro dado relevante mostra que uma em cada três mulheres sente necessidade de mudar o tom de voz ou adaptar sua personalidade para ser levada a sério em determinados ambientes. Há também diferenças marcadas por recorte racial: 28% das mulheres brancas relatam modificar sua aparência para evitar julgamentos, número que sobe para 39% entre mulheres negras.

Reflexão sobre poder e representatividade

Para Beatriz Della Costa Pedreira, a dificuldade em nomear mulheres em posições de destaque reflete não apenas um problema de representatividade, mas também de reconhecimento social sobre o que é poder.

Segundo ela, a presença feminina em espaços de decisão vai além de ocupar cargos formais. Trata-se também de transformar estruturas e ampliar a influência real dessas lideranças.

Já Mariana Ribeiro destaca que a mudança passa também pela cultura e pela forma como a sociedade constrói suas referências. Para a pesquisadora, é necessário ampliar a presença de mulheres em narrativas e produções culturais, fortalecendo modelos de liderança feminina.

Poder, direitos e transformação

A escritora Rosiska Darcy de Oliveira, que participou da pesquisa, reforça que o debate sobre o poder feminino está diretamente ligado à ampliação de direitos, liberdade e autonomia.

O estudo combina dados quantitativos e qualitativos, incluindo entrevistas com especialistas e mulheres que ocupam posições de influência em diferentes áreas, como cultura, economia, meio ambiente e comunicação.

Os resultados reforçam a importância de ampliar o reconhecimento e a valorização das lideranças femininas, contribuindo para uma sociedade mais equilibrada e representativa.

Fonte: Revista40graus, Estúdio Clarice, mídias, redes sociais e colaboradores

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