Paquistão declara “guerra aberta” ao Afeganistão após escalada de ataques
Bombardeios atingem Cabul e Kandahar; Talibã anuncia represálias em larga escalaO Paquistão e o Afeganistão intensificaram confrontos nesta quinta-feira (26), após uma troca de ataques que deixou cerca de 60 mortos, segundo autoridades de ambos os lados. O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou que o cenário evoluiu para uma “guerra aberta” contra o Talibã.
A Força Aérea do Paquistão realizou bombardeios nas cidades de Cabul e Kandahar, apontados por Islamabad como retaliação a ataques vindos do lado afegão da fronteira. O governo paquistanês afirma que a ofensiva também integra ações contra militantes que estariam utilizando território afegão como base para atentados no Paquistão. Cabul nega oferecer abrigo a esses grupos.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, declarou que foram realizadas “operações de represália em grande escala” contra posições paquistanesas. Já o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que as forças armadas do país têm “plena capacidade para responder a quaisquer ambições agressivas”.
Autoridades paquistanesas informaram, sob condição de anonimato, que 22 integrantes do Talibã teriam sido mortos e que drones foram derrubados. Posteriormente, o porta-voz do governo paquistanês, Mosharraf Zaidi, declarou que 133 combatentes afegãos morreram, mais de 200 ficaram feridos, 27 postos foram destruídos e 9 capturados.
Por sua vez, Zabihullah Mujahid afirmou que 55 soldados paquistaneses morreram e 19 postos foram tomados, enquanto 8 combatentes talibãs morreram e 11 ficaram feridos, além de 13 civis atingidos na província de Nangarhar.
A escalada ocorre após ataques aéreos realizados no início da semana pelo Paquistão, que, segundo Islamabad, miraram campos de treinamento do grupo Tehreek-e-Taliban (TTP) e do Estado Islâmico no leste do Afeganistão. O governo afegão voltou a negar que permita a atuação dessas organizações em seu território e alertou que reagiria a novas ofensivas.
As tensões entre os dois países se intensificaram desde que o Talibã retomou o controle de Cabul, em 2021. O governo paquistanês acusa o TTP de realizar ataques na região do Waziristão, área historicamente associada à presença de grupos armados que operam nos dois lados da fronteira.
Nos últimos meses, confrontos esporádicos resultaram no fechamento de passagens terrestres e em dezenas de mortes. Tentativas de mediação conduzidas por Qatar e Turquia não produziram acordo duradouro. Mais recentemente, a Arábia Saudita atuou para facilitar a libertação de soldados paquistaneses capturados em confrontos anteriores.
Até o momento, não há indicação de cessar-fogo imediato, e autoridades dos dois países mantêm posições firmes diante da escalada militar.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
